O REINO ANIMAL
3 Volume

INSECTOS
(3 Volume)

Endopterigotas

Nesta subclasse esto compreendidos os insectos com metamorfose completa (ovo, larva, ninfa, e imago ou insecto prefeito), caracterizado por um perodo de repouso 
no estado de ninfa (minfose), desenvolvendo-se as asas dentro do invlucro ninfal (Holometablicos).


Nevrpteros


Todos os representantes da ordem dos Nevrpteros possuem peas bucais do tipo triturador e, com raras excepes [por exemplo: Nempteros, nos quais as asas anteriores 
diferem das posteriores], quatro asas, mais ou menos semelhantes, com nervuras complexas. Em repouso, estas asas esto dispostas sobre o abdome como as abas de um 
telhado.
Sialis lutaria "mosca-do-amiero", bem conhecida dos pescadores ingleses, encontra-se ao longo das margens dos cursos de gua calmos. Mede cerca de 2 centmetros, 
 de cor castanha e tem asas com nervuras negras. A larva  aqutica, muito voraz, e respira por meio de excrescncias filamentosas dispostas sobre os flancos. Quando 
atinge a maturidade, sai da gua e enterra-se no solo, onde inicia a metamorfose. Na Amrica, a "mosca de Dobson", Corydalus carnutus, tambm conhecida localmente 
por crawler ou hellgrammi, tem habitat semelhante e comporta-se do mesmo modo. A larva aqutica, que permanece neste estado trs anos,  utilizada plos pescadores 
como isco.
A formiga-leo (ex.: Myrmeleon formicarius) encontra-se na maior parte das regies temperadas e tropicais. O adulto lembra bastante uma liblula, com a qual  confundida 
frequentemente, mas, como na maioria dos Nevrpteros, e contrariamente ao que sucede nos Odonatos ou libelinhas, as suas asas, em repouso esto dobradas.
Alm disso, no adulto, o corpo no  to longo nem to delgado como o das libelinhas. A larva tem o corpo oval e robusto, e a cabea, que  achatada, possui um par 
de maxilas enormes. Tem por hbito escavar na areia uma espcie de funil, no fundo do qual se esconde  espera da vtima, que ataca com a sua terrvel armadura bucal.
Os ascalafos (ex.: Ascalaphus longicornis) so estreitamente aparentados com as formigas-lees, s quais se assemelham; em forma de maa ou clava, que lhe do vagamente 
o aspecto de borboleta.
Encontram-se nas regies tropicais e temperadas quentes.
 Hemerbios (ex.: Hemerobius subnebulosus). A diferena existente entre a maravilhosa formiga-leo adulta e a sua sinistra larva  ainda mais acentuada nos Hemerbios. 
o adulto, cujo tamanho mdio  de 5 milmetros, tem o corpo delgado, de cor verde suave, coberto pelas asas transparentes, semelhantes a um vu da mesma cor (os 
Franceses chamam-lhe gass); na cabea encontram-se dois enormes olhos dourados. A larva, pelo contrrio,  acinzentada e insignificante; tem a mesma forma e grandes 
mandbulas como as da formiga-leo e desloca-se sobre as plantas e vai comendo pulges, trips e cochonilhas.
O que se passa quando duas larvas se encontram no se observou ainda, mas deduz-se do comportamento da fmea durante a postura. OS OVOS So depositados, em grupos, 
na superfcie inferior das folhas, mas cada um est ligado  extremidade de um filamento de seda. Se assim no fosse, haveria grandes probabilidades de a primeira 
larva e eclodir e devorar rapidamente os outros ovos.
[A antiga orden dos Nevrpteros foi elevada  categoria de superordem (Nevrpterides) abrangendo as seguintes ordens: Megalpteros (Sialis, Corydalus, etc.); Rfidiptero 
(Rhaphidia) e Planipenes (Nemoptera, Myrmeleoon, Ascalaphus, Hemerobius, Chrysopa, etc.).]


Tricpteros


As frganas, que se encontram em todo o Mundo, tm muitas afinidades com certas borboletas nocturnas menos especializadas. [No Brasil, chamam-lhes "curubixs".] 
O adulto no  muito conhecido: vivendo em lugares pouco expostos, pode, no entanto, encontrar-se nas proximidades dos lagos e cursos de gua. O corpo e as asas 
tm revestimento de plos curtos; as asas anteriores so longas e estreitas, as posteriores muito maiores e pregueadas em leque sobre o abdome, quando em repouso; 
a colorao  matizada de cinzento e castanho. As larvas das frganas so conhecidas de todos os que frequentam os lagos e, particularmente, dos pescadores, que 
as utilizam como isco. So aquticas e, na maioria das espcies, vegetarianas. Constrem invlucros, dentro dos quais se alojam, utilizando pequenas pedras, pauzitos 
delgados ou pedaos de folhas, que aglutinam com ajuda da saliva.
Estes tubos, fechados num dos extremos, so inteiramente forrados de ceda. Algumas espcies carnvoras "tecem", com seda, uma armadilha em forma de funil para capturar 
as suas presas. Quando est prestes a metamorfosear-se, a larva fecha a abertura do invlucro e, depois de um perodo de repouso, abandona-o e sove ao longo do caule 
de uma planta aqutica, ou, no caso de certas espcies, nada at  superfcie, onde o insecto emerge com o aspecto definitivo 


Lepidpteros


Por comodidade, divide-se esta ordem em Microlepidpteros, que compreende todas as borboletas pequenas, vulgarmente denominadas por traas, e Macrolepidpteros, 
isto , as grandes borboletas diurnas e nocturnas. A distino entre estes dois grupos no  to fcil como parece.
De modo geral, podem-se distinguir as borboletas nocturnas (Heterceras) das borboletas diurnas (Ropalceras), pelos seguintes caracteres: as Ropalceras so activas 
somente durante o dia e, quando em repouso, erguem verticalmente as asas, encostando as de um lado contra as do outro, e tm antenas delgadas terminadas por uma 
pequena clava ou maa. As Heterceras so principalmente activas durante a noite; estendem horizontalmente as asas sobre o dorso, quando em repouso; as antenas so 
geralmente plumosas, barbelada ou felpudas e, quando filiformes, nunca terminam em maa. Embora haja excepes, estas regras podem servir-nos de guia.
Os Lepdpteros distinguem-se de todos os outros insectos pelas escamas que cobrem as asas e que so apenas plos dispostos como ter formas variadas e os seus pigmentos 
produzem cores vivas, que nos so familiares. Algumas espcies de borboletas diurnas e nocturnas no tm escamas e h mesmo algumas espcies sem asas! 
Os adultos tm grandes olhos compostos, mas nas lagartas h somente olhos simples, ocelos. Como em todos os insectos, no existe sistema de acomodao e  natural 
que no se saiba nunca o que vem as borboletas diurnas, mas a experincia provou que elas eram mopes, somente capazes de distinguir as formas e as cores a uma 
curta distncia. E, assim, a experincia provou que certas espcies apresentam uma ntida preferncia pelas flores purpreas, menos acentuadas pelas vermelhas, e 
um gosto muito fraco pelas brancas. Contudo, parece estar demonstrado que o macho conhece a fmea  primeira vista.
As borboletas nocturnas possuem um mecanismo nos olhos que lhes permite variar a pigmentao das cores e que actua do mesmo modo que a ris humana, deixando passar, 
mais ou menos, luz nos olhos. As antenas desempenham muitas funes. Em primeiro lugar, servem de balanceiros durante o voo. Alm disso, albergam tambm os sentidos 
do olfacto e do tacto. Cada uma delas est coberta de minsculas fossetas, contendo um ou vrios plos e nas quais esto localizados os sentidos.
O olfacto e o tacto so muito apurados, o que permite ao coleccionador obter machos servindo-se, com isco, de uma fmea de ecloso recente. Os machos so, por vezes, 
atrados por ela a distncias considerveis. Pode-se utilizar outro meio de chegar ao mesmo resultado, revestindo a casca de uma rvore com uma mistura de cerveja 
e melao.
A audio realiza-se por meio de um par de fendas, dispostas de um e de outro lado do corpo, no trax ou no abdome, e que do acesso a uma cavidade onde existe uma 
membrana vibrtil, funcionando como tmpano. 
O ciclo biolgico tem quatro fases: o ovo, a larva (lagarta), a crislia e o adulto (imago). A forma dos ovos varia, mas a sua superfcie  sempre maravilhosamente 
esculpida. Cada um tem, na extremidade superior, uma minscula abertura, o micrpilo, atravs do qual o ovo  fecundado, antes de sair do corpo da fmea; alm disso, 
permite tambm a entrada do ar at ao embrio. O ovo contm uma grande quantidade de "gema" nutritiva. Quando a largata est prestes a eclodir, faz um buraco na 
casca e sai.
Todos os ovos dos Lepidpteros so postos sobre plantas, mas as largatas jovens alimentam-se, em geral, de uma planta determinada, e, frequentemente, morrem se no 
encontram o alimento apropriado.
Felizmente, a fmea, apesar de se alimentar do nctar das flores ou, de frutos em decomposio, de excrementos ou de exsudaes, vai, graas a um maravilhoso instinto, 
fazer a postura sobre a planta da qual a lagarta se alimenta. Porm, isto no  to extraordinrio como parece  primeira vista, pois largata e borboleta no so 
dois animais diferentes, mas apenas duas fases da existncia de um mesmo animal.
A cabea da lagarta corresponde  do adulto e o corpo  formado por treze segmentos, dos quais os trs primeiros correspondem ao trax do adulto e os restantes ao 
abdome. Em cada um dos trs primeiros segmentos, isto , no trax, existe um par de patas verdadeiras. Alguns dos segmentos abdominais, em geral do terceiro ao sexto, 
esto munidos de pares de falsas patas. Estas so moles, carnudas, no articuladas, e terminam por uma ventosa contrctil, coroada por um anel de pequenos ganchos. 
Sem dvida, estas falsas patas constituem as relquias de uma estrutura ancestral e recordam a poca em que os insectos primitivos tinham um par de patas simples 
em cada segmento, tal como sucede actualmente nos Onocforos (Peripatus).
A cabea tem um par de antenas pequenas, com trs segmentos, olhos simples, que contrastam com os grandes olhos compostos dos adultos, e peas bucais trituradoras. 
As glndulas salivares esto transformadas em rgos produtores de seda.
H uma diferena considervel entre a largata acabada de eclodir e a que atingiu o tamanho mximo, o que dificulta a sua identificao.  medida que a largata cresce 
vo-se operando mudas (em geral quatro) e nova cutcula (exvia) difere no s pela disposio das cores como forma e nmero de seda. Finalmente, aps a ltima muda, 
vai originar-se a ninfa ou crislida. Chama-se metamorfose a este processo, no decurso do qual se produzem notveis e profundas modificaes na estrutura do organismo. 
A crislida, encerrada numa cutcula dura e crnea, revela exteriormente as diferentes partes do corpo adulto. V-se o contorno dos grandes olhos compostos, assim 
como o das patas e das asas.  um verdadeiro estado de repouso (diapausa), pois, embora os estigmas estejam abertos e a respirao se efectue, o insecto no se alimenta 
e permanece imvel. A crislida pode apresentar-se sob diversos aspectos: quer protegida, encerrada num casulo de seda, quer suspensa pela extremidade do abdome 
(de cabea para baixo), quer nua, apenas ligada pela ponta do abdomen e segura por uma cintura de fios de seda (borboleta-da-couve). Nos dois ltimos casos, fixa-se 
por meio de um grupo de ganchos, chamado cremster, a uma almofadinha de seda, tecida pela larva antes de se operar a sua transformao.
Durante a metamorfose, realiza-se um curioso processo de destruio e reconstruo. A maioria das partes da larva desaparece, e as que subsistem transformam-se nos 
rgos funcionais dos adultos. Todos os outros rgos tm origem numa quantidade de clulas de reserva, chamadas gomos ou discos do imago, que j existia na larva 
desde o incio.
Segundo o grau de temperatura, o perodo ninfal dura trs semanas ou mais, mantendo-se certas espcies todo o Inverno neste estado.
Aps este perodo de repouso, a pelcula da ninfa rasga-se atrs da cabea e o insecto inicia a sada, libertando suavemente as asas, as antenas e as patas. Depois 
instala-se um pouco mais longe, onde possa deixar expandir livremente as asas. Estas, inicialmente, so muito pequenas, enrugadas, moles e frgeis, mas, depois de 
terem recebido sangue sob presso nos seus vasos, crescem e, ao fim de uma ou duas horas, conforme as espcies, secam e endurecem, ficando aptas a realizar o seu 
primeiro voo.
As espcies que vivem nas zonas temperadas conhecem, por vezes, os rigores do Inverno, chegando algumas a congelar. Isto pode suceder nos diversos estados de ovo, 
larva, ninfa ou insecto adulto. Certas ninfas, quando retiradas do gelo, apresentam-se to frgeis que se quebra quando a deixam cair, mas passam a insecto adulto 
se no forem perturbadas. Outras podem ficar mergulhadas nas guas, durante perodos mais ou menos longos, e na Primavera seguinte vo eclodir normalmente. Uma curiosa 
adaptao encontra-se em certas espcies que hibernam sobre a folhagem das rvores caducas. Como se previssem a queda das folhas, as largatas fixam ao ramo, por 
meio de um fio de seda, a folha sobre a qual se instalam. Nas regies quentes e hmidas do Norte de africa e nas outras regies desrticas, as borboletas passam 
por um estado de repouso estival. Dormem todo o Vero, durante o calor excessivo, e, por isso, s se vem na Primavera e depois no Outono. Outra maneira de evitar 
as estaes demasiado quentes ou demasiado frias consiste nas migraes, que no so contudo muito frequentes nos Lepidpteros. Produzem-se migraes locais, assim 
como, ocasionalmente, deslocaes de grande amplitude, das quais as mais conhecidas so as da vanessa-dos-carbos (Vanessa carduii), da caveira-da-noite (Acherontia 
atropos) e da monarca (Danaus plexippus).
As peas bucais dos Lepidpteros adultos esto transformados numa tromba, em cuja base existe um par de palpos. A tromba  constituda por dois tubos (maxilas) encostados 
um ao outro, mas de maneira a formar um terceiro ou falso tubo. Este ltimo  o canal pelo qual o alimento  absorvido; nos outros dois esto, no s os msculos 
que promovem o enrolamento e desenrolamento da tromba, como tambm os nervos que se dirigem s papilas, muito sensvel, situadas na extremidade da tromba. Como esta 
tem, muitas vezes, mais do dobro do comprimento do corpo e, como nas corolas tubulosas o nctar se encontra a grande profundidade, compreendendo-se que a extremidade 
sensvel deste rgo deva ser extremamente sensvel, quer ao tacto, quer ao gosto, pois  o principal guia na descoberta do alimento. Quando em repouso, a tromba 
mantm-se enrolada, como uma corda de relgio, por baixo da cabea.
Nalgumas espcies de borboletas nocturnas, as partes bucais so apenas vegetais e o insecto vive somente das suas prprias reservas acumuladas durante o estado larval. 
Em algumas destas espcies mais primitivas, alm da tromba e dos palpos ou, raramente, um par de maxilas distintas. Isto revela-nos, que, embora os Lepidpteros 
se afastem da estrutura-tipo dos insectos, descendem contudo de antepassados cujas peas bucais so semelhantes s dos outros insectos.
Nas flores, a produo de nctar, do qual as borboletas e outros insectos se alimentam, est relacionada com a polinizao.
A espcie mais conhecida  a pequena borboleta nocturna prateada, Pronuba yucasella, que mede pouco mais de um centmetro. A fmea recolhe o plen dos estantes de 
Yucca e, com o auxlio das peas bucais, transforma-o numa pequena bola, que  transportada e colocada num carpelo da mesma planta. Deste modo, fica assegurada a 
fecundao dos vulos e o desenvolvimento das sementes. Mas esta fmea no terminou ainda a sua tarefa, pois, graas ao seu ovopositor - rgo que geralmente no 
existe nas borboletas -, perfura o carpelo e deposita os ovos entre os vulos da planta. A ecloso das larvas s se d aps o desenvolvimento das sementes, que constituem 
o seu nico alimento.
Embora os Lepidpteros no tenham o hbito de empreender grandes viagens, muitas espcies de borboletas esto sujeitas a migrao. Estes movimentos, ainda que sumrio 
em muitas localidades e orientados numa direco definida, no atingem distncias to longas como as percorridas pelas aves. No entanto, existe um exemplo flagrante 
de migrao e grande amplitude a da monarca (Danaus plexippus). Trata-se de uma bonita borboleta de cor alaranjada, com manchas brancas e negras e de 10 - 12 centmetros 
de envergadura. A fmea deposita os ovos no vincetxico (Asclepias), do qual as largatas jovens se alimentam. As suas riscas transversais, amarelas e negras, tornam-nas 
muito vistosas e bem visveis enquanto devoram as folhas, ao mesmo tempo que crescem rapidamente. O estado ninfal, cuja durao varia conforme as condies climticas, 
 atingido em cerca de um ms. A borboleta vive 10 - 11 meses e parece no ter inimigos naturais. H, em geral, durante a Primavera e o Vero, duas ou mais geraes 
que, nos fins de Outono, comeam a reunir-se para iniciar a grande viagem para o Sul.
Na Primavera, a monarca emigra para o Norte, penetrando profundamente no territrio do Canad; no Outono, renem-se em grupos enormes, formando verdadeiras nuvens 
no cu; voam quer de dia quer de noite, sobem por vezes a grandes alturas, at atingirem o local onde passam o inverno.
Na primavera, a migrao para o Norte no se faz em massa como no Outono, mas isoladamente. Em grande nmero, estas borboletas renem-se, no Outono, ao longo de 
milhares de quilmetros da costa da Califrnia, onde, sobre os macios de conferas, geralmente pinheiros de Monterey, ciprestes ou ainda eucaliptos. situados numa 
cintura costeira de um quilmetro de largo, repousam durante o Inverno. Algumas destas rvores so regularmente visitadas todos os anos por geraes sucessivas dessas 
borboletas..  chegada instalam-se por debaixo dos ramos, sempre a mais de 6 a 7 metros do solo; os indivduos esto de tal maneira prximos uns dos outros que a 
folhagem fica completamente obscurecida. Contudo, no passam o Inverno em estado de hibernao total, porque num dia quente vem-se frequentemente voar em grandes 
quantidades. O acasalamento tem geralmente lugar nesta poca, mas s os machos atingem a maturidade no Outono; nas fmeas, os ovrios no funcionam antes do incio 
da migrao para o Norte.
A amplitude das distncias que o voo da monarca pode atingir prova-o o seu afastamento, em regies do Globo muito afastadas, onde a espcie se estabeleceu.


Colepteros


Conhece-se cerca de 300 mil espcies de Colepteros, mas  quase certo que existiro muitas mais no Mundo. Devido ao progresso da agricultura e  devastao das 
florestas primitivas, muitas destas espcies esto condenadas a desaparecer, antes mesmo de serem conhecidas.
O carcter mais importante dos Colepteros adultos  a presena de litros, isto , as asas anteriores endurecidas, constituindo uma cobertura protectora das asas 
posteriores, que so unicamente utilizadas no voo. Em repouso, os litros adaptam-se perfeitamente ao corpo; as margens internas ajustam-se a meio do corpo no sentido 
longitudinal e, por baixo, as asas membranosas dobram-se, em geral, longitudinal e transversalmente. Em certos Colepteros que no voam, as asas membranosas desaparecem 
quase por completo; mesmo quando os litros esto totalmente soldados, a sua linha de sutura  sempre visvel.
A ordem dos Colepteros subdivide-se em dois grupos naturais ou subordem: os Adfagos, abrangendo os Colepteros predadores, e os Polfagos, constitudos por todos 
os outros.
a) Adfagos. - As cicindelas so Colepteros activos e carnvoros, que aparecem geralmente nos locais secos e arenosos. Correm rapidamente e depressa levantam voo. 
As suas cores, verde-metlico, bronze ou negro, raiadas ou manchadas de amarelo, tornam-nas muito atraentes para os coleccionadores. As larvas, to vorazes e ferozes 
como os adultos, vivem em buracos abertos verticalmente na areia, deixando apenas a cabea de fora. Quando uma vtima se aproxima, lanam-se sobre ela e agarram-na 
com as suas mandbulas fortssimas. No dorso das larvas existe um par de ganchos que as seguram s paredes do esconderijo, impedindo que algum inimigo as retire 
da.
Nem todas as cicindelas voam. As grandes Mantichora das savanas africanas, que medem cerca de 5 centmetros, fazem as suas caadas percorrendo o solo. A Tricondyla 
aptera, espcie malaia sem asas, persegue as suas vtimas entre as folhas das rvores e dos arbustos.
Os crabos constituem uma grande famlia cosmopolita. So geralmente de cor negra ou sombria; no entanto, h espcies, como Carabus violaceus, como reflexos violeta, 
e outra que ostentam cores metlicas e irisadas, muito vistosas, tais como Carabus auratus e Carabus auromitens. Medem 2 a 3 centmetros, tm abdomen largo e deprimido, 
escondem-se debaixo das pedras e nos troncos, durante o dia, e so particularmente activos de noite, embora possam voar, preferem correr sobre o solo. Tanto a larva 
como o adulto podem considerar-se teis, pois alimentam-se de outros insectos prejudiciais  agricultura, tais como besouros, largatas processionrias, etc., ou 
at de caracis. o gnero Damaster, do Japo e da China, tem a parte anterior do corpo alongada, o que lhe permite penetrar na concha destes moluscos.
As glndulas anais do "bombardeiro" (Brachinus) segregam um lquido cido que se vaporiza rapidamente provocando uma exploso, cujo rudo se assemelha ao de uma 
espingarda de ar comprimido. Este processo  defensivo, pois a detonao brusca e o carcter desagradvel da descarga tem por efeito afugentar o agressor. Brachinus 
displosor pode lanar seguidamente 10 a 12 exploses;  um autntico bombardeiro de repetio. o lquido expelido pelo "bombardeiro" africano (Anthia) provoca uma 
dor intensa, quando em contacto com a pele humana. Espcies prximas vivem nos ninhos das formigas e das trmitas, possuindo antenas robustas e luminosas; ao contrrio 
dos outros "bombardeiros",, o lquido segregado  provavelmente aucarado e utilizado como alimento das formigas e trmitas.
Os ditiscos, vulgarmente conhecidos por "carochas-de-gua", dos quais se conhecem para cima de 3000 espcies nas guas doces de todo Mundo, so geralmente muito 
semelhantes uns aos outros. O corpo  um pouco achatado, de contorno oval, cor negra ou sombria e aspecto brilhante, como se estivesse encerrado. O primeiro par 
de patas  utilizado para segurar as presas e os outros dois, guarnecidos de plos, servem para nadar. Estes Colepteros, em repouso, esto com a cabea para baixo 
e com a extremidade do abdomen levemente saliente ao cimo da gua. O ar retido debaixo dos litros, ao alcance dos estigmas,  ento utilizado quando o animal mergulha. 
As larvas, to ferozes como os adultos, chegam a devorar-se entre si, na falta de outros pequenos animais aquticos, tais como tristes, pequenos peixes, etc.
Os Girindeos, conhecidos por "alfaiates", muito comuns nas guas tranquilas, onde se renem em comunidades, descrevem graciosas curvas  superfcie da gua, em 
torno uns dos outros, lembrando patinadores sobre o gelo. De pequeno porte, cerca de 1 centmetro de comprimento, tm o corpo oval, brilhante e geralmente de cor 
negra ou azul-escura; as antenas no esto visveis, as patas anteriores so longas, adaptadas  natao. Mergulham quando surpreendidos ou perseguidos e, havendo 
oportunidade, podem tambm voar de um lado para o outro. Alimentam-se de pequenas moscas e outros insectos que caem na gua. Possuem dois pares de olhos laterais: 
o par superior, utilizado para ver ao cimo da gua, e o par situado na parte inferior da cabea, para a viso dentro de gua.
As larvas, facilmente visveis, encontram-se nos lodos, no fundo dos charcos ou lagos.
b) Polfagos. - A primeira famlia deste agrupamento  cosmopolita: os seus representantes, os Estafilindeos, vivem na terra hmida, nas madeiras apodrecidas, na 
matria orgnica em decomposio, e atacam outros insectos. Reconhece-se com facilidade pelo seu corpo estreito e alongado e pelos litros demasiado curtos, debaixo 
dos quais esto dobradas as asas membranosas, que deixam a descoberto os segmentos abdominais. O mais conhecido e de tamanho maior (cerca de 3 centmetros)  o Staphylinus 
olens, ao qual o povo chama "diabo" ou "cocheiro-do-diabo", dado o seu aspecto pouco tranquilizador.
Outras espcies vivem no ninho das formigas e das trmitas, fornecendo-lhes um lquido aucarado, muito do seu agrado. Claviger testaceus  um pequeno coleptero 
de 2 milmetros de comprimento, que vive sempre no ninho das formigas vermelhas. Estas bebem o lquido aucarado que ele segrega e dispensam-lhe todos os cuidados; 
quando o Claviger tem fome, basta tocar numa das formigas; esta imediatamente lhe lana a boca o alimento desejado.
Para pr em evidncia a extraordinria variedade de costumes dos Colepteros, citaremos um Dermestdeos, Attagenus pellio, cujo adulto mede cerca de 4 milmetros 
de comprimento e  negro com um ponto branco em cada litro. S a larva, maior do que o adulto, constitui perigo para as peles, las e, sobretudo, tapetes, cuja limpeza 
 menos cuidada.
Os Necrforos, insectos negros manchados de alaranjado, que se encontram principalmente nas regies temperadas, so uns autnticos coveiros. Atrados pelo cheiro 
dos cadveres de pequenas aves, pequenos redores, etc., renem-se em volta deles, cavam o solo e acabam por enterr-los, tapando-os finalmente com a terra resultante 
da prpria escavao. As fmeas fazem a postura na carne morta, e as larvas ao eclodirem encontram alimento em abundncia.
As Coccinelas ou joaninhas, que se encontram nas regies tropicais ou temperadas, alimentam-se sobretudo de outros insectos ou dos seus ovos; algumas so, contudo, 
fitfagas. A larva  igualmente um predador importante.
A adalia-dse-dois-pontos (Adalia bipunctata) e a coccinela-de-sete-pontos ou joaninha, (Coccinella septempunctata), ambas europeias, so importantes inimigos dos 
pulges. A coccinela-da-austrlia, Vedalia cardinalis, foi importada pela Califrnia para combater a cochonilha-da-laranjeira.
As adagias pem os ovos, de cor alaranjada, em grupos, sobre as folhas. As larvas, pequenas e negras, comem verazmente toda a espcie de pequenos insectos. particularmente 
pulges. Em contrapartida, a coccinela-do-feijeiro (Epilachna corrupta), originria do Sudeste dos Estados Unidos da Amrica do Norte e hoje existente j em todos 
os estados do Leste, alimenta-se das folhas do feijeiro.
Os Hidrofildeos assemelham-se muito aos Ditiscdeos, mas so menos vorazes e alimentam-se sobretudo de limneias (moluscos de gua doce). Respiram por meio de uma 
bolha de ar situada na parte inferior do corpo, em contacto com os estigmas traqueanos, que se encontram na extremidade do abdome.
De um grupo de famlias bem conhecido, fazem parte os carunchos e os carochos que atacam as madeiras. Os pequenos orifcios redondos que aparecem nos mveis velhos 
e madeiramentos de construes antigas, e at modernas, so portas de sada de diversos carunchos, tais como Anobium punctatum, etc. Cerca de um ano, passa a larva 
a escambar galerias na madeira, e os orifcios indicam simplesmente os locais de sada dos adultos. O relgio-da-morte (Xestobium tesselatum), cuja vida larvar dura 
de dois a trs anos, tem um comportamento semelhante ao da espcie anterior. A superstio que envolve este coleptero provm do misterioso rudo que se ouve no 
interior das madeiras, devido s pancadas produzidas pela cabea no fundo da galeria.
Os lucolis so pequenos colepteros de cerca de 1 centmetro de comprimento, que possuem na parte inferior do abdomen um rgo produtor de luz. Esta manifesta-se 
de maneira intermitente e rtmica, tornando-se curioso observar milhares de lucolos acendendo e apagando simultaneamente. O pirilampo ou vaga-lume (Lampyris noctiluca) 
tem uma forma semelhante, mas a fmea  ptera e vermiforme. Embora tambm luminosa, emite luz mais contnua que a do lucolo. O macho pode voar e  menos luminoso 
do que a fmea. Entre os Clerdeos, intimamente ligados aos Lampirdeos, encontra-se uma espcie norte-americana, cujas fmeas so igualmente vermiformes. Na obscuridade, 
pode ver-se uma linha de luzes verdes e vermelhas ao longo dos flancos do abdome; da lhe vem o nome de verme-comboio (railway-worms).
Os Elaterdeos, cujo comprimento pode ser apenas de 2 milmetros, simulam admiravelmente a morte, deitando-se de dorso para baixo, quando so perturbados, e para 
se levantarem saltam a grande altura, caindo, ento, sobre as patas; algumas larvas so carnvoras, outras vegetarianas, tais como as larvas-de-aarame [vermichela 
ou alfinete], que constituem uma praga para as baratas e razes comestveis. Diversas espcies da Amrica Central possuem, no promotor, um par de zonas luminosas, 
e outro no abdome; so designadas por Acucujos [e pertencem ao gnero Pyrophorus].
O maior dos Elaterdeos conhecidos  o Tetralobus flabellicornis, espcie africana que vive, no estado larvar, nos ninhos das trmitas e chega por vezes a ser tomado 
pela "rainha".
Os Cantardeos ou Melodeos, acinzentados ou negros, atingem 2 milmetros de comprimento e tm costumes parasitrios muito notveis. Os adultos segregam um liquido 
custico, que provoca ampolas no Homem, quando em contacto com a pele.  destes insectos que se extrai a cantaridina, substncia perigosa a que se tem atribudo 
propriedades afrodisacas. Os ovos, pequenos e amarelos, so postos na terra a uma pequena profundidade e em grandes quantidades. Aps a ecloso, as larvas primrias 
(triongulinos) invadem as plantas vizinhas e instalam-se nas flores. Quando uma abelha solitria poisa numa destas flores, a larva prende-se por meio dos seus ganchos 
aos plos da abelha, que a conduz at  colmeia. Geralmente, o triongulio liberta-se do seu hospedeiro logo que penetra num dos favos da colmeia que contenha ovos, 
os quais so imediatamente devorados. Este  o seu primeiro alimento antes da transformao em segunda larva; a partir deste estado, as peas bucais transformam-se, 
permitindo-lhe sugar o mel.
Os Lamelicrneos fazem parte dos maiores e mais curiosos Colepteros que se conhecem. O lucano ou cabra-loira (Lucanus cervus) possui mandbulas enormes que lembra 
as hastes de um veado. O Dynaster hercules tem longas excrescncias na cabea e no trax, ao passo que o Oryctes boas possui um corno ceflico semelhante ao do rinoceronte. 
Neste mesmo grupo encontram-se tambm os escaravelhos-sagrados do Egipto. Apesar do seu porte e formidvel aspecto, a maior parte dos Escarabde os alimenta-se de 
matrias orgnicas em putrefaco (detritos vegetais, madeiras, excrementos, etc.). Os Oryctes causam grandes prejuzos aos coqueiros.
 curioso o hbito dos escaravelhos de reunir em bolas os restos de excrementos, que vo rolando para trs, com a ajuda das patas posteriores, at atingir um local 
propcio, onde so enterrados at serem avidamente deglutidos. pensou-se que estas bolas continham um ovo, mas est provado que no. O ovo est de facto numa outra 
massa piriforme existente numa cmara previamente escavada na terra.
Num grupo de espcies do gnero Gymnopleurus, a bola  transportada pelo macho (que segue  frente) e pela fmea (esta colocada sempre atrs), que a aguenta.
Se um dos dois  atacado e foge, o outro continua o seu caminho, aproveitando a ajuda do intruso.
Os Gymnopleurus no so comestveis pelos predadores de Colepteros, como, por exemplo, as aves; ento,  interessante assimilar que outros insectos apresentam o 
seu aspecto, por mimetismo.
Noutro grupo dos Lamelicrneos, encontram-se os besouros [so -joaneiros ou ceifeiros], flagelo dos agricultores. As larvas, conhecidas por vermes-brancos [foscas, 
po-de-galo ou sopa-de-galinha, talvez pela avidez com que as galinhas as procuram], so brancas, rolias, com a cabea castanha, e passam trs anos debaixo da terra. 
Os adultos so de cor acastanhada na espcie mais vulgar [na Europa Central Melolontna vulgaris, que em estado larvar causa grandes prejuzos], medem cerca de 3 
centmetros e so facilmente atrados pelas luzes das habitaes. [Em Portugal,  muito frequente a Melolontha hybrida.]
Os Cerambicdeos ou Longicornes tm antenas muito longas, donde lhes provm esta ltima designao. So insectos xilfagos, isto , alimentam-se das madeiras, nas 
quais escavam galerias caprichosas. Distinguem-se pela colorao dos litros e das asas. Neste grupo existe uma forte tendncia para aproveitar a homocromia como 
meio de segurana. Os que so activos de dia assemelham-se as vespas e znges, aos quais se associam muitas vezes; os que so activos durante a noite lembram os 
lquenes sobre os quais repousam de dia.
O grupo dos Crisomeldeos, a que pertence o bem conhecido dorforo da barata (Leptinotarsa decemlineata) [erradamente chamado escaravelho-da-batateira], apresenta 
tambm muitas espcies de cores vivas. Estas cores esto, muitas vezes, associadas a caracteres que as tornam no comestveis ou venenosas, fornecendo assim aviso 
aos predadores.
Os indgenas utilizam uma destas espcies, no deserto Calaari, para envenenar as flechas: o veneno, obtido por esmagamento do corpo de ninfas e larvas,  mortal 
para o leo e outros animais de grande porte.
O dorforo  um exemplo flagrante do que pode suceder quando o homem perturba o equilbrio natural. Este Coleptero era inofensivo e vivia na encosta oriental das 
Montanhas Rochosas, onde se alimentava de vegetais da famlia da batateira (Solanaceae). Depois, vieram os colonos [entre 1845 e 1850], que introduziram a a cultura 
da batata, sobre a qual o dorforo se lana com avidez. Os adultos so de forma oval, medem 1 centmetro de comprido, tm litros alaranjados, com cinco linhas longitudinais 
pretas em cada um. Passam o Inverno debaixo do solo,  profundidade de 25 centmetros; na Primavera, saem e alimentam-se dos rebentos das batateiras. A fmea pe 
ao todo cerca de 50000 ovos, dos quais saem larvas de cor avermelhada, com uma dupla fiada de manchas negras de cada lado. Depois de comerem as folhas da batateira, 
penetram no solo e transformam-se em ninfas; dez dias mais tarde, o insecto perfeito emerge, para comear um segundo ciclo, durante a mesma estao.
O ltimo grupo dos Colepteros, o dos gorgulhos  constitudo por um grande nmero de espcies muito prejudiciais. Mesmo de pequeno tamanho, os prejuzos ocasionados 
aos cereais, em crescimento ou em gro armazenado, so sempre de grande vulto.
Os gorgulhosreconhecem-se imediatamente por uma espcie de tromba (rostro), em geral comprida e delgada, na extremidade da qual se encontra a boca. As larvas, volumosas, 
desprovidas de patas, tm aspecto vermiforme e vivem dentro dos prprios tecidos das plantas.
As espcies das palmeiras atacam ao nvel do solo e vo avanando para cima,  medida que todo o contedo do tronco  consumido. O gorgulho do arroz (Calandra oryzae), 
que aparece em todos os locais onde o cereal se encontra, o do algodo e o do trigo causam tambm grandes prejuzos.
Outros gorgulhos, os Rhynchites, caracterizam-se por fazerem a postura nas folhas, que enrolam em seguida, protegendo assim a sua descendncia.
Os Bostriqudeos so pequenos colepteros, aos quais se deve o aparecimento de pequenos orifcios nos troncos ou ramos de rvores pouco saudveis. A fmea fura a 
cerca e escava uma galeria, onde deposita os ovos, em intervalos regulares,  esquerda e  direita. As larvas, aps a ecloso, continuam a galeria, mas no sentido 
perpendicular ao da primitiva. Assim se constitui um sistema de galerias, com estrutura muito regular, que se pode observar levantando a casca. Atingida a maturidade, 
cada larva passa pela sua metamorfose, e o insecto adulto sai, depois de abrir um orifcio para esse fim.
A outro grupo aparentado com os gorgulhos, os Lipdeos, pertencem colepteros cujas larvas se alimentam dos bolores que forram as galerias por eles construdas nas 
madeiras. Supe-se que preparam uma composio especial, na qual plantam os esporos dos fungos, recolhidos especialmente.
Finalmente, referir-nos-emos aos Brentdeos, nos quais no s o rostro  muito alongado como tambm o resto do corpo, e as patas esto distendidas, o que, por vezes, 
os assemelha aos Fasmdeos.


Himenpteros


Os Himenpteros reconhecem-se pelos seguintes caracteres: a diviso habitual do corpo em cabea, trax e abdomen  manifesta, mas, na realidade, o primeiro segmento 
do abdomen est ligado ao trax e alguns dos restantes nitidamente estrangulados de maneira a formar uma "cintura". Esta no  unicamente caracterstica das vespas, 
nas quais  proverbial, mas sim da maior parte dos Himenpteros. Dois pares de asas, embora possam faltar (como, por exemplo, nas formigas), sem escamas, como as 
dos Lepidpteros, membranosas, brilhantes e frequentemente de cores vivas. A cabea pode mover-se livremente. As fmeas tm um ovopositor, por vezes transformado 
em ferro. Os estados de desenvolvimento so constitudos pelo ovo, a larva - em geral, uma lagarta volumosa inactiva -, o repouso ninfal e o adulto. Os Himenpteros 
mais conhecidos - as abelhas e as formigas - tm um sistema social muito superior ao de todos os outros seres vivos,  excepo do Homem. 
A ordem subdivide-se em:
a) Fitfagos ou vegetarianos, que incluem os Sirex, Tentredos e Cefos;
b) Parasitas ou Icneumonadeos, que pem os ovos dentro de outros animais, ou formam galhas nos vegetais (Zoocecdeas);
c) Aculeados, isto , formigas, abelhas e vespas.
Fitfagos - Os representantes desta sub-ordem no possuem o aspecto caracterstico dos outros Himenpteros. So menos graciosos e, certamente, menos activos e sensveis. 
As larvas dos Siricdieos (Sirex) escavam galerias nas madeiras, as dos Cefdeos (Cephus) no caule das plantas e as dos Tentredos, ou moscas com serra, alimentam-se 
das folhas das rvores e arbustos e tambm de frutos. Estes ltimos, sobretudo o lofiro-do-pinheiro, podem confundir-se facilmente com as lagartas dos Lepidpteros 
e da o serem conhecidas com o nome de "falsas lagartas". Distinguem-se pelo nmero de patas, pela forma da cabea e pelo costume que tm de estar sobre a folhagem, 
enroladas em ponto de interrogao. Em geral, as larvas passam a vida ninfal debaixo da terra, a uma maior ou menor profundidade, onde constrem um casulo ligeiro; 
contudo, as que vivem nas madeiras ou nos caules lenhosos mantm-se, durante a metamorfose, dentro das suas prprias galerias.
A partenognese  muito vulgar entre os Tentredos. Em muitas espcies, s se conhecem as fmeas e no se sabe se os machos existem.
Parasitas - Os Himenpteros parasitas, dos quais se conhecem cerca de 50.000 espcies, em geral so de pequenas dimenses. O seu aspecto  semelhante ao das formigas 
e vespas, de "cintura"bem acentuada, mas o ovopositor nunca est transformado em ferro. As fmeas dos Galicoldeos ou Cinipdeos pem os ovos no interior dos tecidos 
das plantas. As larvas ao eclodirem provocam um crescimento anormal das clulas vegetais, ocasionando o aparecimento de galhas (Zoocecdeas).

[ Hoje sabe-se que o agente cecidogneo no  nem a picada nem o lquido inoculado, quando da postura, mas sim as secrees do embrio (difundidas atravs da casca 
do ovo e a larva.  raro as Cecdeas serem prejudiciais aos vegetais que as apresentam. De modo geral, as galhas tm formas caractersticas prprias do insecto que 
as ocasionou, o que permite muitas vezes a determinao do parasita somente pela galha produzida.]
  Os Cinipdeos so pequenos insectos, geralmente negros ou de cor escura, mais conhecidos pelos resultados da sua aco do que propriamente pelo seu aspecto. De 
certas espcies no se conhecem os machos. Noutras espcies, podem aparecer machos e fmeas numa gerao, e na seguinte s fmeas. Assim, a Biorhiza pallida tem 
duas geraes distintas, de hbitos completamente diferentes.
A Biorhiza pe os ovos nos rebentos do carvalho, provocando os conhecidos bugalhos. Das larvas eclodidas podem aparecer machos e fmeas, que se acasalam. As fmeas 
fecundadas pem os ovos nas razes do carvalho, mas das respectivas larvas s resultam fmeas partenogenticas que pem ovos nos rebentos do carvalho, onde formam 
as galhas, fechando assim o ciclo vital. Existe, portanto, uma gerao que produz as galhas-radiculares, provenientes de ovos postos por fmeas partenogenticas. 
A este tipo de alternncia de geraes, com partenogenticas, d-se o nome de heterognea.
Entre os Galcoldeos, podemos observar, quer geraes sucessivas, privadas aparentemente de machos, quer geraes heterognicas, quer espcies nas quais se encontram 
sempre machos, menos numerosos do que as fmeas. Este ltimo caso assemelha-se ao que se passa entre as abelhas e formigas, nas quais a fmea desempenha um papel 
to importante na vida da colnia que os machos ficam apenas reduzidos  nica funo de fecundadores.
Os outros Himenpteros parasitas atacam animais e servem-se de uma srie de estratagemas para atingir os seus fins. Os ovos so postos, ou prximo do insecto de 
que as larvas se ho-de alimentar, ou sob a pele do hospedeiro, ou ainda dentro do prprio hospedeiro. Muitas espcies parasitam ovos, fazendo as posturas nas de 
outros insectos. Em certos casos, cerca de 20 ovos podem ser postos dentro de um nico ovo de borboleta.
Noutros casos, realiza-se um processo curioso a que se chama poliembriomia. O embrio do ovo do parasita divide-se sucessivamente at dar origem a centenas de larvas 
que permanecem dentro de uma nica lagarta. Certos parasitas podem nadar debaixo de gua, para se apossar dos ovos de Heterpteros aquticos.
Recorde-se que o hemerbio (Nevrptero) pe os ovos em grupos, sobre as folhas, presos pela extremidade a um fio de seda. As jovens larvas so vorazes, e se no 
fosse este dispositivo a primeira a eclodir devoraria as outras. H um Himenptero parasita, Perilampus chrysopae, que pe tambm os ovos sobre as mesmas folhas 
e cujas larvas procuram os hemerbios, sobre os quais se instalam, perfurando-lhe a cutcula. Por vezes, a larva de Perilampus sobe mesmo ao longo do pednculo de 
um dos ovos de hemerbio e a se mantm  espreita at  ecloso da larva. No Orasema viridis, do Texas, mosquito minsculo de 1/4 de milmetro de comprimento, as 
fmeas depositam os ovos, s centenas, nos formigueiros e as larvas parasitam depois as formigas. Uma outra espcie, Perilampus hyalinus, vive sobre icneumondeos 
que infectam certas largatas. A fmea do Perilampus deposita os ovos sobre a cutcula da largata. Aps a ecloso das larvas dos icneumondeos, as do Perilampus introduzem-se 
imediatamente no seu corpo. Para parasita, parasita e meio!
Os Icneumondeos, tambm Himenpteros parasitas, so insectos teis, pois parasitam outros que constituem para ns verdadeiros flagelos. Assim, as diversas espcies 
de Pron e de Aphidius fazem as posturas no corpo dos pulges. Os resultados podem observar-se imediatamente em toda a planta infestada. A larva dos Pron, ao sair 
do ovo, alimenta-se do contedo do corpo do pulgo at atingir o tamanho mximo, depois rasga a pele do hospedeiro e constri um casulo, sobre o qual os restos do 
pulgo so colocados. Um caso semelhante passa-se com uma espcie de Aphidius, com a diferena de que o cadver do hospedeiro fica colado a uma folha e a larva passa 
a sua vida ninfal no interior dele. No decorrer deste processo, o corpo do pulgo torna-se amarelo-palhas, com o aspecto de seco e um balofo.
A fmea de Rhyssa persuasoria  capaz de perfurar um tronco de rvore com seu ovopositor de 6 centmetros de comprimento; os ovos so postos ao lado dos de sirex 
gigante (Sirex gigans) a fim de que as suas larvas parasitem as do Sirex. As espcies de Thalessa tm um ovopositor ainda mais impressionante, podendo atingir cerca 
de 15 centmetros de comprimento, sendo muito mais longo que o prprio insecto! Graas a ele, o insecto consegue penetrar profundamente na madeira, para a depositar 
os ovos ao lado dos das suas vtimas.
Polynema natans, nada debaixo de gua utilizando as asas, para a detectar os ovos de Notonecta, que parasita.
O mais estranho de todos  o Riela manticida, que passa a sua vida larvar e ninfal dentro dos ovos do louva-a-deus. Quando o adulto sai, procura imediatamente outro 
louva-a-deus, de preferncia uma fmea. Logo que se encontra no corpo desta, o Riela perde as asas e passa a ser parasita externo. Se o hospedeiro  realmente uma 
fmea, a fmea do Riela instala-se na extremidade do abdomen no momento da postura e pe os seus ovos sobre os do louva-a-deus.  verosmil que se a Riela se agarra 
a um macho morra sem deixar descendentes.


Aculeados - Ainda que alguns representantes deste grupo lembrem extraordinariamente certos parasitas e tenham sido de facto classificados entre eles, os Aculeados 
distinguem-se facilmente pelo carcter fraco e dbil das suas larvas, que tm de estar munidas de uma proviso de alimentos, imediatamente acessveis, ou ser alimentados 
pelos adultos. Toda a actividade se limita ento aos insectos adultos; larvas e ninfas vivem escondidas e postas em abrigos.

Formigas - As 6000 espcies de formigas conhecidas nas diversas partes do Mundo so todas sociais. Praticamente h sempre trs castas distintas: os machos, as fmeas 
fecundas ou rainha e as fmeas estreis ou obreiras. Os machos tm asas, a cabea pequena, longas antenas e rgos sensoriais e reprodutores fortemente desenvolvidos. 
As rainhas so grandes em relao aos machos e s obreiras; comeam por ser aladas, mas tornam-se pteras aps o acasalamento. As mandbulas, as patas e os rgos 
reprodutores tm extraordinrio desenvolvimento. Nas obreiras, a cabea  grande, em comparao com o resto do corpo, e as mandbulas, patas e antenas so bem desenvolvidas. 
O tamanho do corpo  varivel e, em certas espcies, existem mesmo dois grupos bem distintos, dos quais um  de facto constitudo por indivduos de cabea grande 
e mandbulas fortes, denominados soldados. Embora as formigas vivam em colnias, geralmente afastadas umas das outras, em dada altura "esta poltica isolacionista" 
 abandonada, em virtude de os cruzamentos serem indispensveis ao revigoramento da raa.  por isso que, na estao propcia, todas as rainhas aladas, de uma vasta 
regio, deixam o seu ninho para se entregarem a um voo nupcial, no decorrer do qual so fecundadas pelos machos. Aps a copulao, as rainhas voltam a terra, perdem 
as asas, e constrem uma cmara no interior do solo, onde pem os ovos. Por fim, cada rainha deve encarregar-se de alimentar as larvas. F-lo utilizando as suas 
glndulas salivares ou fornecendo-lhe ovos ainda no eclodidos. ao cabo de um certo tempo, cada rainha "criou uma ninhada" de fmeas no desenvolvidas sexualmente, 
ou infecundas (neutras), que do origem a uma casta de obreiras e, muitas vezes, segundo as espcies, tambm soldados.
Com o desenvolvimento desta gerao, a colnia aumenta e o ninho comea a tomar forma. Este pode encontrar-se debaixo do cho e ser feito de terra e detritos vegetais, 
como, por exemplo, agulhas de pinheiro, ou estar situado nas madeiras apodrecidas. Uma vez formada as colnias, as obreiras entram em actividade e constrem um formigueiro, 
limpam-no, cuidam dos ovos, da alimentao das larvas e da prpria rainha ou das rainhas, quando existe mais do que uma. S as formigas mais primitivas so vegetarianas, 
no necessitam ir muito longe em busca de alimentos. Outras espcies so mesmo mais avanadas e adquiriram costumes agrrios: plantam gros e fazem a colheita. H 
tambm as que recolhem e armazenam vegetao apodrecida, para se alimentarem de fungos que se desenvolvem sobre ela. Finalmente, existem aquelas que se alimentam 
do melao que lhes  fornecido pelos pulges ou outros insectos. Nos formigueiros, alm das formigas, encontram-se alguns insectos que a elegem seu domiclio, mas 
outros exercem a funo de "varredores", e ainda outros vivem da pilhagem dos ovos e das larvas das formigas.  vulgar encontrar-se, num ninho, mais de uma espcie 
de formigas. No caso da Formiga sanguinea, as outras espcies que com ela coabitam so escravas [exemplo.: as Serviformica fusca]. As formigas-ceifeiras, da Amrica, 
cultivam o seu arros-de-formiga, em campos cuidadosamente cavados e mondados, dispostos  volta dos seus ninhos. As formigas-guarda-sol, da Amrica tropical, renem 
folhas, sobre as quais colocam fungos.
A adaptao mais notvel encontra-se, sem dvida, nas formigas-do-mel, Myrmecocystus hortideorum, da Amrica do Norte, da africa do Sul e da Austrlia, nas quais 
algumas obreiras servem apenas de receptculos para o mel e melao, recolhidos por outras obreiras. Estes "potes de mel" esto suspensos do tecto dos formigueiros, 
e o seu abdomen, est dilatado como um odre.
Entre as espcies carnvoras, os Ponerdeos, da Austrlia, constituem o grupo mais primitivo - colnias com cerca de uma dzia de indivduos e pequenas diferenas 
entre as cascas. As formigas-buldogues medem mais de 2 centmetros e so de uma ferocidade invulgar. As Ecitons, como todos os Dorildeos, tm costumes nmadas: 
deslocam-se continuamente e aniquilam todos os insectos na sua passagem. So os Hunos do mundo dos insectos!
Vespas - H dois grupos principais de vespas: os Vespdeos ou vespas propriamente ditas, e os Esfegdeos ou vespas escavadoras. Estes dois grupos distinguem-se principalmente 
pelos seus hbitos nitidamente diversos, pois as diferenas de estrutura so pequenas. O primeiro grupo abrange espcies solitrias e sociais, ao passo que o segundo 
inclui somente espcies solitrias.
As vespas mais primitivas so os Escolideos e Mutildeos, cujas fmeas, pteras, lembram extraordinariamente as formigas; os machos so alados e muito maiores. 
Encontram-se com frequncia nos pases quentes, embora vivam por vezes tambm nas zonas temperadas. Os Escolideos parasitam principalmente formigas velhas e outras 
vespas; os Mutildeos, que muitas vezes correm sobre as flores, fazem uma cava no solo para depositar os ovos sobre as larvas volumosas de colepteros, tais como 
as cetnias.
Na Mutlla villosa, que  a maior de todas, machos e fmeas so, excepcionalmente, alados. Tal como os outros Mutildeos, pe os ovos nas larvas de determinados insectos; 
por isso, so muitas vezes utilizadas para debelar certas pragas. Este costume  semelhante aos dos Pompildeos, que comeam por cavar a sepultura das suas vtimas,. 
sobre as quais depositam os ovos.
Esta acentuada tendncia "industrial" vai mais alm nos Eumendeos, que fabricam pequenos potes de argila, dentro dos quais armazenam as provises para a descendncia, 
e atinge o mximo nas vespas sociais, que constrem ninhos enormes de pasta.
Os Pompildeos, caadores de aranhas, fazem escavaes na areia, onde colocam suas vtimas; depois de depositarem os ovos sobre elas, tapam a cova, deixando as larvas 
alimentar-se das carcaas das suas presas.
Certos Pompildeos, os Pepsis, medem mais de 8 centmetros de comprimento e chegam a atacar as aranhas de maior tamanho, como a terafosa da Amrica,  avicularia. 
Os Eumendeos constrem os ninhos de argila, que podem ter o aspecto duma bilha ou de um pote, e esto ligados por um pednculo  superfcie de uma folha ou escondidos 
num buraco dum tronco de rvore. H ainda os ninhos formados por uma srie de clulas aglomeradas, contendo cada uma larva com o respectivo alimento (lagartas ou 
aranhas, previamente paralisadas por uma picada.)
Estes ninhos mltiplos so construdos nas vigas ou nas asnas dos telhados, debaixo das pedras ou nas fendas dos edifcios.
As vespas sociais fazem os ninhos com uma pasta, preparada pelas obreiras, de fibras de madeira humedecida, que depois nas rvores ou nas razes destas, em cmaras 
subterrneas. Os ninhos so geralmente esfricos, constitudos por camadas de clulas (cada clula contm uma nica larva) sobrepostas, e recobertos por um invlucro 
espesso. Nas colnias existem machos, fmeas ou rainhas e obreiras. So estas ltimas que constrem e limpam o ninho, que se ocupam da alimentao (lagartas e outros 
insectos) e cuidam das criaes.
Os Esfegdeos so solitrios; escavam os seus ninhos no solo e a guardam a sua presa, viva, sobre a qual fazem a postura. As vtimas so geralmente lagartas de 
borboletas nocturnas, embora alguns prefiram insectos de menor porte, como os pulges. Este grupo de vespas da qual fazem parte os Shex, Ammophila e Sceliphoron, 
 notvel pela preciso com que introduzem o ferro na parte inferior do corpo (entre os segmentos) da vtima, de maneira que o veneno  injectado prximo dos principais 
gnglios nervosos. Nem o mais hbil cirurgio o faria melhor!
Abelhas. - sem as cores vistosas das vespas e com o corpo menos elegante que os outros Aculcados, as abelhas alimentam-se somente de nctar e plen, sendo este ltimo 
transportado por um dispositivo situado nas patas posteriores. Estas so alargadas, achatadas e dotadas de uma depresso (corbcula) na face externa, rodeada de 
plos. ao recolher o nctar e o plen, as abelhas prestam um grande servio  polinizao das flores em que poisam. O mel, este produto suculento que se associa 
imediatamente  idia de abelha, no  seno o nctar das flores que foi engolido, parcialmente digerido e depois regurgitado. As larvas so alimentadas pelas obreiras 
com uma papa especial, mistura de mel e plen.
A cera, utilizada na construo dos ninhos (favos), provm da secreo de glndulas situadas na parte inferior do corpo das obreiras jovens.
Tal como nas formigas e vespas, existem todos os estados intermedirios entre as espcies solitrias e sociais, predominando aquelas.

Uma abelha solitria constri uma clula, aprovisiona-a, e nela deposita um ovo. H, contudo, espcies nas quais vrias abelhas utilizam o mesmo abrigo, mas servem-se 
de clulas separadas, Ainda noutras abelhas as clulas podem ser construdas em comum, o que faz lembrar os ninhos mais complicados das espcies sociais, que so 
as mais especializadas. Nestas ltimas, cada colnia compe-se de fmeas fecundas (rainhas), de machos (zngos) e de fmeas estreis (obreiras).
As grandes colnias duram alguns anos; porm, nas espcies que constrem ninhos mais simples, as fmeas que sobrevivem no Inverno tm de recomear tudo de novo na 
Primavera.
As abelhas-tapeceiras, do gnero Megachle, fazem o ninho no solo, em escavaes dos troncos de rvores ou mesmo nas madeiras apodrecidas. No interior de uma cavidade 
cilndrica, constrem as suas clulas em forma de dedal, que atapetam com pedaos de folhas, em oval para os lados, e uma circular a servir de tampa da clula.  
como as mandbulas, funcionando como tesouras, que estas abelhas recortam as folhas. As clulas (em nmero de 6 a 8) so colocadas, lado a lado, em fila. Os chalicodomas 
constrem aglomerados irregulares de clulas, cujas paredes se compem de argila ou areia.
Entre os abelhes, existe uma adaptao interessante digna de ser assinalada. As espcies do gnero Psithyrus parasitam os ninhos de abelhes de grande porte (Bombus) 
e por isso os Franceses chamam-lhes abelhes-cucos. A fmea penetra no ninho de Bombusi (HIMENOPTERO SOCIAL, mata a rainha e apodera-se da colnia; faz a postura 
e obriga as obreiras de Bombus a alimentar e cuidar das larvas. Embora Psithyrus esteja degenerado, faltando-lhe certos caracteres, tais como as corbculas do plen, 
assemelha-se tanto ao Bombus no tamanho, na cor e no aspecto geral, que passa completamente despercebido s obreiras, suas escravas.


Estrepspteros 


Ordem autnoma, afim da dos Himenpteros, constituda por insectos muito degenerados, Holometablicos.
As fmeas so pteras, parasitas, excepto as famlias Mengeidae, e os machos tm asas, as anteriores transformadas em balanceiros. Parasitam Tisanuros, Ortpteros, 
Hempteros e Himenpteros.


Dpteros


Os representantes desta ordem, salvo os que so pteros, no tm mais do que um par de asas delicadas e membranas, e atrs dele os vestgios do segundo, transformados 
num par de semi-halteres, chamados balanceiros. Estes desempenham funes de equilbrio e de audio. As peas bucais esto modificadas de modo a permitir picar 
e lamber. As larvas tm o aspecto vermiforme, de corpo mole, e vivem nas matrias em putrefaco, nos tecidos vivos ou, como as dos mosquitos, na gua. As ninfas 
das moscas designam-se geralmente por pupas.
Esta ordem contm cerca de 1 milho de espcies conhecidas, mas existe certamente um nmero muito maior cujos hbitos so diversos. 
A maioria dos Dpteros no tm cores to espectaculares como os Lepidpteros ou os Colepteros e no tm a simpatia dos homens, pois afectam-lhes mais profundamente 
a vida do que, em geral, os outros grupos de insectos, fazendo-o quase sempre de maneira muito desagradvel. No entanto, sob certos aspectos, alguns podem ser-nos 
teis.
Os Dpteros constituem o grupo mais moderno dos Insectos; contudo, tm j um passado de cerca de 200 milhes de anos e eram to abundantes h 50 milhes de anos 
como hoje. Estabeleceram-se na Terra muito antes dos Mamferos e, dentre estes, o Homem parece ter sido dos mais tardios. A sua maneira de viver e o seu comportamento 
no esto em relao directa com o que o Homem pensa ou faz, salvo na medida em que este procurou submeter o Mundo inteiro para servir os seus prprios interesses 
egostas. Assim, se uma espcie determinada de mosca se alimenta de um fruto que se cultiva para nosso uso, logo  considerada como uma praga; no entanto, devemos 
lembrar-nos que essa mosca se alimentava j de tais frutos muito antes de o Homem pensar em cultiv-los. Para ns, a mosca  um flagelo, mas, para a mosca, o Homem 
 uma calamidade! Do mesmo modo, as larvas das moscas, que pululam nos estrumes ou nas carnes putrefactas, podem desagradar-nos e causar at nusea, mas elas apenas 
continuam a, h geraes, a sua humilde tarefa; a de "varredoras".
Quanto ao costume de sugar o sangue, este comeou certamente pelas moscas que sugavam os frutos; da at  suco do suco dos animais (sangue) vai uma curta distncia. 
A extenso desse hbito, a que pode chamar um parasitismo intermitente ou temporrio, levou certos pteros Pupparos a perder as asas, tornando-se parasitas permanentes.
Os prejuzos causados pelos Dpteros ao Homem atingem propores impressionantes: h Anthomyias que atacam as culturas de cebolas, couves, nabos, rabanetes, beterrabas, 
etc.; Cecidomdeos, entre os quais a clebre mosca de Hesse (Mayetiola destructor), que causa na Amrica, todos os anos, milhes de dlares de prejuzos. Os Hypodermmma, 
estrus e outros provocam danos considerveis no gado. H ainda os Dpteros que incomodam o prprio Homem ou os que o prejudicam gravemente, como sejam os moscardos 
do gado (abanus), os Simuldeos e os mosquitos. So de anotar tambm as larvas daqueles que atacam a pele, causando prurido ou provocando feridas, como o verme de 
Cayor (Cordylobia anthopophaga) ou o verme macaco (Dermatobia hominis). Finalmente, citaremos que so tambm os Dpteros os responsveis pela transmisso de graves 
enfermidades, tais como a malria, a febre amarela, filarioses, encefalomielites, a dena do sono, etc. Quanto a esta ltima, so as moscas ts-ts (Glossina) que, 
em certas regies africanas, constituem grave flagelo para o Homem e para os animais domsticos.
No que respeita  utilidade dos Dpteros, podemos referir-nos  sua aco na polinizao das rvores fruteiras e de outras plantas teis, na destruio das ervas 
daninhas, no parasitismo de insectos nocivos ou, at certo ponto, na transformao dos estrumes.
A grande tpula, da famlia dos Tipuldeos, tem o corpo delgado, asas estreitas e patas excessivamente longas, fazendo lembrar um mosquito gigante. Os adultos encontram-se 
em stios hmidos, com ervas, no fim do Vero. So frgeis e desajeitados quando vo, e ainda mais desgraciosos quando se deslocam sobre o solo. As larvas vo limpando 
os locais onde se encontram: umas vivem na gua, outras nas vasas ou na terra, alimentando-se de detritos vegetais. A Tipula oleracea e a Bibio marci, embora vivam 
no solo, destrem no s as razes das ervas mas tambm das plantas hortcolas.
Nos mosquitos, sobejamente conhecidos, os machos alimentam-se dos sucos vegetais, enquanto as fmeas - que primitivamente teriam decerto o mesmo o regime - necessitam 
agora sugar o sangue para que se tornem frteis. Alm da picada ser incmoda,  tambm um vector de denas terrveis. A malria, a febre amarela, a dengue, e as 
filariores so denas todas transmitidas pela picada do mosquito.
Os ovos so depositados  superfcie da gua, sob a forma de jangadas caractersticas, que, praticamente, se encontram em todas as guas estagnadas, em tanques, 
lagos, charcos, buracos das rvores ou recipientes abandonados. Um ou dois dias depois, d-se a ecloso e as larvas alimentam-se de detritos orgnicos e vm somente 
 superfcie para respirar, por meio de um sifo situado na extremidade do abdomen. Depois de uma ou duas semanas, transformam-se em ninfas, que nadam durante alguns 
dias e de cujo invlucro sai finalmente o insecto adulto.
Alm do uso dos mosquiteiros e de repelentes de todas as espcies, podemos proteger-nos dos mosquitos drenando as guas estagnadas, cobrindo-as com uma pelcula 
de leo, ou - o que  mais eficaz - usando insecticidas com as devidas precaues. Tambm se pode utilizar a criao de peixes que se alimentam das larvas.
H a considerar dois tipos principais de mosquitos:
1 - Os Culex, mosquitos incmodos, que habitualmente aparecem nas nossas casas: as suas picadas so desagradveis, e podem ter consequncias. Os representantes deste 
gnero reconhecem-se facilmente pela posio horizontal do seu corpo em repouso.
2 - Os Anofeles, agentes transmissores da malria, tm, em repouso, o abdomen levantado e a cabea baixa. Os Aedes, responsveis pela transmisso da febre amarela, 
tm as patas transversalmente raiadas de branco e negro.
Os ovos com casca espessa, de certas espcies de Aedes so capazes de se manter vivos durante 10 anos, vantagem evidente de que beneficiam quando, nos desertos, 
esto sujeitos a longo perodo de seca. Quando vm as chuvas, os ovos, arrastados para os lagos ou charcos, vo eclodir e as larvas transformam-se rapidamente em 
adultos. A diferena mais ntida entre machos e fmeas observa-se nas antenas: plumosas no macho e, em geral, muito mais simples nas fmeas, cujas peas bucais so 
de tipo perfurantes.
Um grupo de moscas que, nas ltimas dcadas, se tornou muito importante  o dos mosquitos-do-vinagre, do gnero Drosophila, se bem que outras moscas sejam tambm 
atradas pelo vinagre. As Drosofilas so pequenas, com cerca de 3 milmetros de comprido, de corpo amarelo e olhos vermelhos; as suas larvas alimentam-se de frutos 
frescos e em putrefaco. Como se reproduzem e crescem rapidamente, originando uma gerao em 8 a 12 dias, e so fceis de cultivar, constituem um excelente objecto 
de estudo dos genetcistas, especialistas que se ocupam da hereditariedade e suas variaes.
Uma mosca da Austrlia, Dacus tryoni,  um verdadeiro flagelo para os pomares [na regio mediterrnica. D. olee constitui uma praga das azeitonas].
A mosca domstica, Musca domestica, que acompanha o homem em todo o Mundo,  uma autntica praga;  responsvel pela propagao de denas, tais como o tifo, a disenteria, 
a clera, o carbnculo e muitas outras. As bactrias so transportadas nos plos das patas ou engolidas e depois regurgitadas. Um dos resultados da mecanizao dos 
transportes, diminuindo o nmero de equdeos em todo o Mundo, foi justamente uma das causas da rarefaco relativa da mosca domstica, que fazia as posturas principalmente 
nos excrementos de cavalo; mas a mosca imediatamente se apercebe de que os vegetais em putrefaco fazem o mesmo efeito! Esta mosca  um dos insectos mais abundantes 
e mais conhecidos das habitaes humanas; encontra-se em todos os locais habitados do Mundo e o processo mais eficaz de deter a sua expanso consiste em reduzir 
ao mnimo os lixos e outras matrias em decomposio.
A fmea pode pr cerca de 500 ovos, brancos e ovais, de 1 milmetro de comprido, que vo eclodir em 24 horas; as larvas, sem patas, alimentam-se de matrias orgnicas 
e, em duas semanas, transformam-se em insectos adultos. Se as condies so propcias, este ciclo pode passar-se apenas em 10 dias. Durante o Outono, na sua maioria, 
morrem devido a fungos parasitas, mas algumas conseguem resistir e passar o Inverno em abrigos.
Aparentadas com a mosca domstica, esto as moscas picadoras (Stomoxys calcitrans) e as moscas-da-carne, que fazem as posturas justamente na carne, onde se revelam 
os mais admirveis destruidores de cadveres, mrito que a dona de casa nada aprecia, quando a sua aco incide sobre a refeio familiar.
As moscas-da-carne so de cor azul-metlico como a Calliphora vomitoria [ou acinzentada com na Sarcophaga carnaria, que larvpara] ou verde-metlico como a Lucilia 
caesar, esta ltima com predileco especial pelos excrementos. A ts-ts, como por exemplo Glossina palpalis, transmite a dena do sono, na africa.
As larvas dos Estrdeos parasitam diversos Mamferos. O Gastrophilus intestinalis do cavalo  de cor castanho-amarelo e tem de comprimento pouco mais de 1 centmetro; 
pe os ovos nos plos das espduas, ventre e patas do cavalo. Estes so lambidos e engolidos, dando origem a larvas, munidas de fiadas de pequenos espinhos, que 
se fixam  mucosa do estmago. A infeco  grave e a digesto do cavalo ressente-se. A larva, atingindo a maturidade,  expelida com os excrementos e passa  fase 
ninfal, na terra.
As larvas do Hypoderma bovis vivem debaixo da pele, principalmente dos Bovdeos. Tambm os ovos so postos nos plos das patas dos quadrpedes depois lambidos por 
estas. As larvas perfuram os tecidos internos at atingirem a pele, onde formam obsessos. O estrus ovis dos carneiros pe os ovos nas fossas nasais destes. Na Amrica 
tropical h uma espcie que vive sobre a pele e outra no estmago do Homem. 
O parasitismo parcial que se observa nos Estrdeos atinge um alto grau no Melophagus ovinusi do carneiro; no tem asas, e o abdomen, dilatado, d-lhe o aspecto de 
uma carcaa. Estas moscas so vivparas: as larvas esto presas  la do carneiro, onde se transformam em pupas de cor castanho-avermelhado. O estado adulto  atingido 
em cerca de trs semanas. As peas bucais so, ao mesmo tempo, trituradoras e sugadoras, mas, embora causem uma irritao aos hospedeiros, no o prejudicam grandemente.
Os Asildos - grandes predadores de insectos - pem os ovos na ter onde as larvas vivem, cavando galerias e alimentando-se de larvas de outros insectos e vermes. 
Este estado larvar pode prolongar-se durante trs anos, o que faz lembrar o das efmeras e liblulas, e que contrasta nitidamente com o curto perodo de desenvolvimento 
da maior parte dos Dpteros. O adulto, que vive cerca de um ms, mede 2,5 milmetros e tem um corpo frgil e delgado, mas as asas e as patas so robustas. Tm um 
voo rpido e so capazes de transportar outros insectos (as suas vtimas). No corpo, densamente pubescente, destaca-se a cabea, com um par de grandes olhos, ligada 
a um pescoo delgado, que lhe permite mover-se em todos os sentidos. Os Asildeos capturam abelhas e vespas em pleno voo e transportam-nas at uma planta, onde pousam; 
em seguida perfuram a couraa, justamente atrs da cabea, e sugam todo o contedo do insecto, at deixarem somente a caraa vazia.


Sifonpteros


Os Sifonpteros, vulgarmente conhecidos por pulgas, abrangem um pequeno grupo de cerca de 500 espcies de insectos, secundariamente ptero, que parasitam intermitentemente 
os Mamferos e as Aves, sugando-lhes o sangue. Dos ovos saem pequenas larvas brancas, que se alimentam de matrias orgnicas das peiras, quer nos ninhos das aves 
quer noutros locais frequentados por Mamferos ou Aves.
 curioso notar que os Mamferos marinhos (Cetceos e Pinpedes) e os terrestres sem domiclio fixo, ninhos ou tocas (Ungulados e primatas), no tm pulgas. A larva 
tece um casulo de seda para se metamorfosear. Embora algumas pulgas tenham um hospedeiro fixo, a maioria parasita indiferentemente vrias espcies animais.
As pulgas, particularmente as transportadas pelos ratos, so importantes agentes transmissores de diversas denas [como o Xenopsylla cheopis, que transmite a peste 
bubnica].
Algumas pulgas das regies subtropicais diferem das outras por as fmeas se introduzirem na pele do hospedeiro.
[ particularmente notria a pulga penetrante, Dermatophlus penetrans, originria da Amrica Intertropical e introduzida na africa e em Madagscar, que causa inflamaes 
e lceras cutneas no Homem e nos animais domsticos ou selvagens, nos dedos e nas orelhas.  conhecida pelos seguintes nomes vulgares: giga (Guin), bitacaia (Angola), 
matacanha (Moambique); e bicho-dos-ps (Brasil).]

CURIOSIDADES:

["As borboletas do bicho-da-seda (Bombyx mori) tem duas belas antenas densamente pectneas, caractersticas do macho."
"A Ascalaphus longicornis, uma das espcies da ordem Planipenes (Nevropterides), tem longas antenas terminadas em valva."
"A Chrysopa septempunctata, espcie da ordem Planipenes, se alimentam de insectos, aranhas e sucos vegetais."
"No Goneterix rhamni, da famlia das Pierdeas, 
o macho  cor de enxofre."
"Monarca (Danaus plexippus), borboleta diurna, notvel pelas extensas migraes, entre as Amricas Central e Setentrional, desviando-se, por vezes, para leste, atingindo 
os Aores, e, para este, at  Austrlia e  China." 
"A Vanessa cardui, cuja lagarta se alimenta de cardos."
"A Vanessa io,  vulgarmente chamada "pavo-diurna"."
"A Vanessa urticae,  uma borboleta da urtiga."
"A Vanessa c-album, tem asas bizarramente recortadas, marcadas as posteriores com um sinal, a branco, em forma de c."
"A Argynis aglaia var. charlotta,  conhecida como 
"fritilaria-da-rainha-de-inglaterra"."
"A Morpho hetenor,  uma borboleta exclusiva do Brasil."
"O Hidrfilo (Hidrous piceus), Coleptero aqutico, como os ditiscos, so carnvoros muito vorazes, aproveitando todos os tecidos moles, quando a presa  um vertebrado, 
fica apenas reduzida ao esqueleto."
"Um "bombardeiro", Coleptero carabdeo, defende-se de seu inimigo, menor ou maior, pelo disparo detonante de lquido agressivo, que se vaporiza rapidamente."
" Cychrus cylindricollis, Coleptero carabdeo, se alimenta 
de caracis terrestres."
"Cicindella gallica, insecto carnvoro muito voraz, tem seus congneres, e  um verdadeiro "tigre" da ordem dos Colepteros."
"A joaninha-de-setepontos (Cocccinella septempunctata),  um grande auxiliar da agricultura, inimiga de pulges e cochonilhas."
"A fmea slarviformes de Luccila, Colptero dotados de rgos emissor da luz. As larvas podem ser mortas pela aco parasitria de um fungo, os filamentos envolventes."
"A cabea de larva de Dytiscus marginalis, tem mandbulas, curvas e aguadas, e existe uma canelura ao longo do bordo interno."
"O Sylpha tyrolensis, Coleptero tem litros ornados de carenas longitudinais e com antenas cujos artculos lembram as contas de um rosrio."
"O Dynaster hercules, Coleptero escarabedeo tem cabea e o trax ornados de compridas e curva excrescncias corniformes."
"O escarabedeo minotauro (Thypheus thypheus), 
tem caractersticas salientes no pronoto."
"O Polyphylla flavescens  notvel pelo seu dimofismo sexual,  pequeno o macho, com configurao normal, 
 quatro vezes maior a fmea, mas larviforme."
"O Oryctes boas, um Coleptero escarabedeo, sua configurao lembra um rinoceronte; como os seus congneres,  muito prejudicial aos palmares."
"Trichodes apiarius, um Coleptero clerdeo, cuja larva se nutre das larvas das abelhas (Apis melifera)."
"O Chrysochora fulgidissima,  formoso buprestdeo do Japo."
"A fmea de Urocerus gigas, Himenptero siricdeo gigante, suas larvas se desenvolvem no interior dos tecidos lenhosos das conferas,  onde introduz os ovos com 
o seu penetrante ovopositor."
"A largata de uma borboleta nocturna esfigdea, suas larvas se alimentaro  sua custa at crisalidarem no interior dos despojos."
"O Ophion luteus, Himenptero icneumondeo, cuja fmea se alimenta de hemolinfa e tecidos internos de outros Artrpodes."
"A formiga pote-de-mel (Myrmecocystus hortideorum), obreiras alimentada at  repleo completa, tem o abdome desmedidamente dilatado em balo, serve de reservatrio 
de mel e melao, recolhidos por outras obreiras; por simples regurgitao, os potes-de-mel podem matar a fome a outras obreiras, quando necessrio."
"O Scolia flavifrons, o maior Himenptero da Europa, cuja fmea mede quatro centmetros de comprimento e seis de envergadura alar. Os seus ovos so introduzidos 
nas larvas do escaravelho-rinoceronte,  de que a prole se alimenta."
"As abelhas tambm colhem o plen, nos gomos viscosos, o prpolis com que obturam as fendas da colmeia, por onde passam a luz e o ar frio."
"A Mosca ts-ts (Glossina palpalis), muito espalhada na africa Ocidental tropical,  transmissora ao Homem do Trypanosoma gambiente."
"No Aedes aegyti, o mosquito do sexo masculino e distinto da fmea por ter antenas plumosas. Esta espcie transmite ao Homem a febre amarela."
"O Volucella bombylans, Dptero sirfdeo, so semelhantes aos abelhes (Bombus), espcie que se alimenta de plen e nctar, e que, favorecendo a polinizao, se 
reconhece como antfila, isto , "amigo das flores"."
"A Stomoxys calcitrans, mosca cabalina, dotada de aparelho bucal pungente, com que pica e suga o sangue dos grandes
 quadrpedes e do Homem."
"A Mosca domestica, mosca vulgar, nasce na estrumeira."]


Alguns hbitos curiosos dos Dpteros


A pupa de uma mosca que se encontra no Oregon e na Califrnia foi utilizada, em tempo, como alimento dos ndios da regio. A mosca faz a postura nos lagos salgados 
ou alcalinos e as pupas esto geralmente presas a objectos situados debaixo da gua. Quando h uma tempestade, muitas soltam-se e so lanadas nas margens. Antes 
do seu extermnio quase total, no decurso da segunda metade do ltimo sculo, os ndios Pah-Ute costumavam recolher grandes quantidades desta pupa; extrada a dura 
cutcula, a ninfa era friccionada entre as mos e envolvida numa espcie de farinha (koo-chah-bie), constituindo assim, em certos perodos do ano, uma das principais 
fontes de protenas utilizadas na alimentao dessa tribo.
A mosca-do-petrleo (Psiloptera petroli)  a nica que vive no petrleo. As larvas, com o comprimento de 7 a 10 milmetros quando atingem a maturidade, aparecem, 
na Califrnia, no petrleo bruto que ressuma do solo e nos charcos contguos s refinarias e reservatrios de petrleo, alimentando-se de outros insectos que caem 
e morrem dentro deste. As glndulas que circulam os estigmas esto maravilhosamente adaptadas a este inslito habitat, visto segregarem uma substncia que ader aos 
plo que envolvem os estigmas, evitando assim a entrada do petrleo.
Certos Nematides (Vermes) que constituem grande praga para o Homem, nos pases tropicais e subtropicais, no podem atacar sem a ajuda de diversos mosquitos, que 
so seus hospedeiros intermedirios obrigatrios. Um destes vermes, a filiria de Bancroft (Wuchereria bancrofti),  responsvel pela elefantase, que se manifesta 
por um inchao, de enormes propores, em diversas partes do corpo. Este edema  provocado pela acumulao da linfa, que fica bloqueada nos respectivos canais, devido 
 presena do verme. As fmeas adultas "pem embries (chamados microfilrias), revestidos por uma bainha delicada. Assim, circulam no sistema sanguneo perifrico, 
donde so sugados pelos mosquitos. As microfilrias s perdem o invlucro no intestino do mosquito. Parece que, algumas horas depois de o mosquito sugar o sangue, 
este transforma-se numa massa vascosa, que actua sobre a bainha de todas as microfirias presentes, facilitando-lhes a sada.
A periodicidade das microfirias est em correlao com os hbitos do mosquito.
Na Amrica tropical, o principal agente vector  o Culex fatigans, que s pica durante a noite. Est provado que as microfirias s esto presentes no sistema sanguneo 
perifrico justamente durante a noite, comportamento ainda hoje sujeito a controvrsia. Na Ocenia, onde o principal agente transmissor  uma outra espcie que pica 
de dia, no existe a periodicidade anterior, e as microfirias encontram-se no sistema perifrico sanguneo a qualquer hora do dia.
A flria loa, da africa (Loa loa),  uma espcie muito prxima da de Bancroft, mas transmitida pelos dpteros do gnero Chysops [ex: Ch. silacea e Ch. dimidiata]. 
Estes, de hbitos diversos, esto em relao com o aparecimento das microfirias no sistema sanguneo perifrico somente de dia.
Dermatobia hominis, designa-se por "estro-do-homem" ou, mais vulgarmente, por "verme-macaco", encontra-se em toda a Amrica Tropical. Esta mosca ataca, geralmente, 
caes, bois, porcos, celhos, etc., e s ocasionalmente o Homem. O insecto adulto  azulado e de tamanho semelhante ao da mosca-azul-da-carne. A maneira como as larvas 
chegam ao Homem e aos animais  uma das optaes mais notveis e mais curiosas que se conhecem. Quando se aproxima o momento da postura, a fmea captura um grande 
mosquito do gnero Psorophora ou, por vezes, outro insecto e fixa-lhe os ovos na superfcie ventral do abdomen, utilizando uma substncia que seca rapidamente. O 
Psorophra, posando no Homem e nos outros animais de sangue quente, deixa os ovos, que acabam por eclodir no encontram condies favorveis, voltam a entrar no seu 
invlucro, onde esperam ocasio mais propcia. Penetram na pele e, entre cinco a dez semanas, atingem o comprimento de 1-2 centmetros. Formam ento grandes quistos 
ou furnculos, muitas vezes imensamente dolorosos, com um orifcio  superfcie da pele por onde a larva respira. Quando atingem o seu completo desenvolvimento saem 
e caem no solo, onde pipam.



OS INSECTOS E O MEIO

A respirao nos insectos aquticos


No  possvel compreender a anatomia a fisiologia e a biologia dos Insectos, se se considerar como animais particularmente bem adaptados  vida terrestres visto 
que, contrariamente  idia corrente, demasiado antropocntrica, no  difcil viver na gua, mas sim na terra. O problema principal a resolver  o da respirao, 
e os Insectos resolveram-no de maneira notvel.   combinao da cutcula rgida, impermevel  gua, e do sistema de traqueias, comunicando com o ar atravs da 
sries de estigmas, que se deve tal xito. A carapaa quitinosa, alm de ser o esqueleto ideal para os animais de pequenas dimenses, preserva-os das perdas de gua 
e  a principal responsvel pela extraordinria exuberncia dos Insectos. Efectivamente, no se pode conceber uma conquista mais completa da terra e do ar.  notvel 
a evoluo desta a classe, que deu origem a animais que voltaram  vida aqutica. Este processo esboou-se entre os representantes mais primitivos da casse, tais 
como as efmeras, libelinhas e perlas, e prosseguiu atravs dos grupos de percevejos, hemerbias e frganas at s vespas e moscas. Nas borboletas nocturnas existem 
algumas espcies aquticas! Geralmente, em cada ordem encontram-se alguns insectos aquticos, e nas dos Odonatas e efemerpteros so todos aquticos. Existem, todavia, 
na adaptao  vida aqutica, vrias maneiras e diversos graus. Em primeiro lugar, h os que vivem sobre a gua e no dentro dela. Estes insectos esto para os que 
vivem submersos como os patos esto para os eixos. Entre eles, tambm o aparelho locomotor apresenta adaptaes especiais. O exemplo mais comum -nos dado pelos 
Gerris e Hidrometra, frequentes nos tanques e charcos, percevejos predadores, longos e esbeltos, que caminham  superfcie da gua tal como os outros insectos sobre 
a terra firme. A tenso superficial  suficientemente forte para aguentar o peso destes pequenos animais, tanto mais que se encontra distribudo por seis pontos 
(os extremos dos tarsos) relativamente afastados.  assim que muitos Colmbolos vivem sobre a gua, alimentando-se de algas e de outros organismos microscpicos. 
Por sua vez, constituem a base da alimentao dos Hidrometrdeos e Girindeos. Os Hidrometras e Colmbolos tm respirao area e so incapazes de imerso prolongada. 
Os Grindeos fazem a transio entre os insectos de superfcie e os verdadeiramente aquticos; passam a maior parte da sua vida  superfcie da gua, caando Colmbolos 
e outros animlculos, mas so capazes de mergulhar e permanecer dentro de gua muito tempo. As patas natatrias e o corpo hidrodinmico permitem-lhe nadar com toda 
a facilidade; os olhos, curiosamente divididos, fornecem-lhes duas vises: a metade superior, o que se passa  superfcie; a metade inferior, o que passa debaixo 
da gua. As antenas, muito especializadas, mantm-nos constantemente ao corrente das modificaes resultantes da inclinao da superfcie da gua e, assim,  provvel 
que, apercebendo-se dos meniscos formados, sejam capazes de evitar uma coliso com objectos slidos, como os caules de plantas, as margens ou inimigos, etc. As larvas, 
ao contrrio dos adultos, vivem sempre debaixo de gua. O exemplo dos Girindeos serve para evidenciar que metade do total dos aquticos passa toda a vida na gua, 
ao passo que a outra parte s a vive durante o estado larvar, passando o insecto adulto  vida terrestre.  espantoso que, no respeitante  respirao, aqueles 
esto pior adaptados  vida aqutica do que estes ltimos.
O vasto nmero dos Colepteros e Heterpteros (Hempteros) aquticos embora vivam dentro da gua, vm periodicamente  superfcie fazer o seu aprovisionamento de 
ar; este mtodo  aparentemente imperfeito, se se comparar com o utilizado pelas larvas dos mosquitos, de numerosas espcies de Sirfdeos e de moscas da famlia 
Stratiomyidae, que se mantm permanentemente em comunicao com a superfcie por meio de um tubo ou sifo respiratrio, de comprimento varivel. Nas larvas das moscas 
Eristales (um grupo dos Sirfdeos), este tubo, inserido na base do abdome, pode ultrapassar vrias vezes o comprimento do corpo, permitindo-lhes viver na vasa ptrida 
de pntanos pouco profundos, ricos de alimento, mas praticamente desprovidos de oxignio. As larvas dos mosquitos Culicneos vivem suspensas de cabea para baixo, 
deixando  superfcie um pequeno tubo respiratrio situado na extremidade do abdomen, e as ninfas respiram da mesma maneira, mas atravs de duas hastes corniformes 
torcicas.
E, por acaso, se um destes insectos permanece debaixo de gua durante um certo tempo, no pode seno utilizar uma parte do oxignio armazenado no sistema traqueal.
Voltando aos Colepteros e Heterpteros aquticos, verificamos que as aparncias so enganadoras; o seu processo respiratrio, aparentemente imperfeito, , na realidade, 
de uma extraordinria perfeio. Estes insectos, depois de estarem um certo tempo  superfcie, quando mergulham levam consigo uma proviso de ar. Assim, o Hidrfilo 
(Hydrous piceus) transporta o ar debaixo dos litros, entre os plos do abdome; os Ditiscdeos (Dytiscus marginalis) tm tambm o seu reservatrio debaixo dos litros 
e a Notonecta (Notonecta glauca) numa dupla fiada de longos plos, situados na parte ventral do abdome. Mas, em todos estes casos, o ar armazenado no  mais do 
que uma simples proviso destinada a ser consumida durante o mergulho, permitindo tambm ao animal recolher o oxignio dissolvido na gua. Estes insectos no dependem 
somente do oxignio do ar; com efeito, eles retiram a maior parte deste oxignio do ar que se encontra dissolvido na gua. 
As Brnquias so essencialmente de duas espcies: brnquias traqueanas e brnquias sanguneas. Nas larvas com brnquias sanguneas, o sistema traqueal no  funcional. 
As brnquias, se existem, esto cheias de lquido e o principal rgo respiratrio  o tegumento, cuja superfcie  muitas vezes aumentada por apndices delgados, 
as brnquias sanguneas. Como exemplo, citamos as larvas de frganas e as dos Tedipeddeos ou Quironomdeos, mosquitos no picadores, que possuem geralmente brnquias 
sanguneas na extremidade do abdomen, as quais nas frganas se formam a partir do recto. Mas, mesmo quando existem rgos com a aparncia de brnquias sanguneas, 
a respirao faz-se essencialmente pela carapaa.  igualmente o que se passa durante os estados precoce dos insectos que respiram em seguida por meio de brnquias 
traqueanas.
Muitas espcies de Quironomdeos merecem uma ateno particular, porque so os nicos insectos que tm hemoglobina no sangue. Este pigmento respiratrio est dissolvido 
no plasma e no h glbulos vermelhos, a sua quantidade total  infinita. Em todas as larvas desprovidas de tranqueas funcionais, o oxignio  transportado pelo 
sangue, processo muito anormal no mundo dos insectos. As larvas das libelinhas, efmeras, perlas e de numerosos grupos de Nevrpteros e Colepteros aqutico todas 
tm brnquias traqueanas, de forma e origem variadas. Na maior parte dos casos, tm o aspecto de filamentos ou lamelas inseridas nos segmentos. Nas larvas de Salis 
(Megalptero) e de Gyrinnus so as patas abdominais que funcionam como brnquias traqueanas; mas nas larvas das libelinhas (subordem Anisptera) as brnquias traqueanas 
so formadas por um sistema complicado de pregadas rectais.
Em todas as brnquias traqueanas, numerosas traqueias e traquelas esto em estreito contacto com o tegumento, o que permite a passagem livre do oxignio. Entre 
a mistura gasosa do sistema tranqueano e os gases dissolvidos na gua produz-se uma troca semelhante  que se d nos insectos que transportam consigo uma certa proviso 
de ar. mAs h uma diferena: o azoto no desaparece gradualmente das traqueias e os insectos so capazes de se manter submersos permanentemente.
Em comparao com a funo respiratria, todos os outros problemas que surgem, quando se passa da vida terrestre para a aqutica, so de ordem secundria. A nutrio, 
por exemplo, no difere da realizada em terra, salvo para os animais que se alimentam de plncton. Citamos os Corixdeos (Heterptros aquticos), os Melusindeos, 
pequenos mosquitos picadores, que no decurso dos seus estudos larvares aparecem nos rpidos e quedas de gua, e certas larvas de frganas que constrem redes de 
seda, tal como as aranhas as suas teias.


Hbitos sociais dos Insectos


Diz-se geralmente que as formigas, as abelhas e as vespas so Insectos sociais. No entanto, o nmero de espcies de abelhas e vespas com hbitos sociais constitui 
apenas uma pequena fraco das conhecidas pelos entomologistas. Mas, cada vez que representantes destes grupos manifestam tendncias sociais, organizam sociedades 
de uma complexidade tal que, exceptuando a das trmitas, como elas no existem outras no mundo dos Insectos.
O termo "social" aplicado que um certo nmero de indivduos vive em conjunto numa comunidade estreitamente integrada e que estes indivduos dependem, at certo ponto, 
uns dos outros.

A apicultura  a arte ou a cincia da criao e explorao da abelha, com fins recreativos e lucrativos, utilizando cortios ou colmeias expressamente elaborados 
para o efeito. Pratica-se fundamentalmente atravs de dois processos distintos: o "fixismo" e o "mobilismo". O "fixismo", assim designado por utilizar colmeias rudimentares 
(cortio), onde estaro fixados s respectivas paredes ou ao tempo,  o processo tradicional e antiqussimo de explorao das abelhas, ainda hoje predominante em 
muitas regies do Globo, como, por exemplo, no continente africano. O "mobilismo", pelo contrrio,  o mtodo racional e moderno que utiliza as colmeias de quadros 
mveis, comumente designado por "colmeias mveis", que so caixas primticas (o corpo), dispondo interiormente de uma srie de caixilhos (os quadros), guarnecido, 
no interior, de folhas de cera moldada com os esboos dos alvolos, que as abelhas depois transformam em favos. Estes quadros com os favos podem deslocar-se, permitindo 
a inspeco cmoda e higinica do mel por meio de extractores centrfugos, sem destruio dos favos, alm de um sem-nmero de operaes de carcter tcnico que transformam 
a apicultura em verdadeira indstria e aumentam substancialmente o seu rendimento.

No tipo de sociedade mais primitivo, entre as vespas africanas do gnero Belonogaster, por exemplo, vrias fmeas conjugam os seus esforos na construo de um ninho 
comum e repartem equitativamente entre si os cuidados com a descendncia. No existe distino entre rainhas e obreiras:  uma democracia, e as fmeas so fisiolgicamente 
iguais. 
Numa forma mais evoluda, a estrutura da vida social torna-se mais complexa e a comunidade tende a dividir-se em duas castas, por vezes, de uma maneira muito ntida: 
rainhas - uma ou mais fmeas fecundas, e obreiras - numerosas fmeas estreis. Estas obreiras, descendentes da rainha, nas sociedades mongenas no podem ser fecundadas 
nem tm vida sexual prpria. Comportam-se como se estivessem ligadas por instinto  comunidade a que pertencem e  qual se devotam inteiramente. Supem-se que a 
origem de sua esterilidade provm de uma certa deficincia de regime alimentar.
A diferena entre uma obreira e uma rainha pode no existir se no na sua funo, associada a uma diversidade de tamanho como sucede nos grandes abelhes (Bombus). 
Mas esta diferena pode ser to grande que rainha e obreira parece no pertencerem  mesma espcie, como se verifica na formiga africana Carebara. A rainha grande, 
com 2 centmetros de comprido enquanto as obreiras so minsculos insectos de aspecto muito diferente. Em numerosas espcies de formiga particularmente no gnero 
tropical Pheidole, a casta de obreira est ainda subdividida em obreira simples e soldados , estes com a cabea muito grande.
A funo dos soldados no  puramente defensiva; a cabea munida de msculos possantes ligados s mandbulas, permite-lhes triturar gros e insectos coriceos. 
Portanto, a comunidade - tipo tem uma rainha, numerosas obreiras e, em certos perodos do ano, um grande nmero de machos. toda a sua actividade, quer se trate de 
uma sociedade de formigas, vespas ou abelhas, atinge anualmente o mximo pelo menos nas regies temperadas quando da produo de um grande nmero de indivduos sexuados 
- isto , de rainhas e machos.
Em dias bonitos , estes indivduos sexuados deixam o ninho para se acasalarem; em seguida, as fmeas fecundadas esto aptas a formar novas colnias, o que fazem 
em geral depois de passar o Inverno em qualquer abrigo.
O comportamento dos grandes abelhes (Bombus) e das vespas sociais (Vespula) da Europa e da Amrica do Norte  o seguinte: depois de uma nica copulao - visto 
a rainha s se acasalar uma vez na sua vida - os espermatozides ficam armazenados num rgo especial - a espermtica. A se mantm em grande nmero, aptos a ser 
utilizados pela rainha de cada vez que um ovo  posto. Assim, a rainha pode pr ovos fecundados durante toda a sua vida, que dura um ano, em Bumbus e Vespula, cinco 
anos, em Apis (abelha domstica) e mais ainda em certas formigas.
Cita-se um caso de uma rainha de formigas que viveu 15 anos em cativeiro.
As colnias de abelhes e vespas sociais (Vespula) so anuais: so fecundadas na Primavera por fmeas que passaram o Inverno e se dispersaram no fim do Vero, depois 
de os indivduos sexuados terem deixado o ninho para se acasalarem. A vida social destes dois grupos de Himenpteros apresenta as semelhanas seguintes: a rainha 
no difere das obreiras seno pelo tamanho - ainda que esta diferena no seja sempre to ntida como nos Bumbus -, e tem a faculdade de poder pr sempre ovos fecundados. 
Alm disso, tambm  capaz de construir um ninho, de o abastecer e de criar uma gerao de obreiras. No decorrer dos estados iniciais do estabelecimento da colnia, 
as rainhas de Bombus e de Vespula so completamente independentes.
Como  diferente a rainha de Apis mellifera! De contribuio degenerada, visto ter a lngua mais curta que as obreiras e no possuir as corbculas para o plen nas 
patas posteriores,  incapaz de levar uma vida independente. Salvo durante alguns voos de ensaio, que efectua antes do grande voo nupcial, nunca mais acompanha as 
obreiras excepto na enxameao.
O tipo de comunidade que se encontra na abelha domstica est intimamente ligado s restries impostas  rainha e tem dois pontos notveis:
1 - a degenerescncia da rainha e a sua incapacidade de fundar por si s uma colnia deu origem ao fenmeno de enxameao;
2 - a faculdade que a colnia de abelha tem de se manter durante um grande nmero de anos depende do instinto profundamente enraizado nas obreiras, que as leva a 
armazenar o nctar das flores e a transform-lo em mel.
Apis mellifera demonstra bem a importncia que as reservas alimentares desempenham na economia dos Himenpteros sociais. Embora as vespas (Vepula), que so carnvoras, 
no armazenem alimentos nos favos, resolveram, contudo, o problema de uma maneira original. Quando no ninho, uma vespa tem fome, dirige-se a uma das clulas abertas 
contendo uma larva em crescimento e, mordiscando-lhe levemente a cabea, leva-a a lanar pela boca uma gota de lquido, que a vespa engole com avidez. Mais reconfortada, 
a obreira parte novamente em busca de novos caimentos para as lavras, pois estas s bem alimentadas conseguem segredar o lquido do qual as obreiras so to gulosas. 
Assim, o proveito  recproco - toma l, d c! E pode considerar-se um componente essencial da vida social da Vespula.
Um outro elemento quase to vital para a prosperidade da colnia como a troca de alimento entre a larva e a obreira  a faculdade de que as obreiras tm de regurgitar 
os alimentos, passando-o de uma a outra.
Este costume  muito frequente entre as vespas e formigas e assegura uma distribuio equitativa dos alimentos entre os membros da comunidade. No se pode imaginar 
comunidade mais perfeita.
As formigas, muitas vezes sujeitas a um meio difcil, defendem-se contra as inevitveis necessidades de diversas maneiras muito interessantes. Recolhendo sementes 
de plantas durante a curta estao em que os vegetais florescem no deserto, as formigas-ceifeiras Pogonomyrmex, norte-americanas, so capazes de subsistir, quando 
todas as outras fontes de alimentao esto esgotadas. Mais curioso ainda so os hbitos de Myrmecocystuus hortideorum, vulgarmente designados por formigas-potes-de-mel. 
As obreiras desta espcie escolhem algumas delas e empanturram-nas de todos os sucos aucarados de que dispem, transformando-as em verdadeiros reservatrios de 
alimento. Com o abdomen extraordinariamente dilatado, ficam suspensas do tecto das cmara subterrneas, aguardando a sua utilizao (tal como um barril de vinho), 
aps o esgotamento das outras reservas.
A fundao de uma colnia de Hmenpteros nem sempre  to fcil como se verifica nos Vespula, Bumbus e Apis. Embora a rainha de Apis se encontre aqum da rainha 
do Bumbus e da rainha Vespula, por si s a colnia, tem sempre que acompanhar na enxameao componentes da sua prpria espcie para tomar a direco de uma nova 
colnia.
Noutras espcies de Himenpteros sociais, particularmente entre as formigas, a perda da independncia da rainha obriga-a a viver como parasita de uma outra espcie, 
temporria ou permanentemente. Por exemplo, a rainha das formigas esclavagistas, Formiga sanguneas, instala a sua casa roubando ninfas do ninho de uma outra formiga, 
Formiga fusca. Quando as obreiras de fusca emergem do invlucro ninfal, cuidam da ninhada de obreiras da mae adoptiva. As obreiras de sanguinea so tambm esclavagistas 
e, como tal, saqueiam e roubam os ninhos da tmida Formiga fusca. Mas dispensam as escravas, quando as suas colnias esto suficientemente povoadas.
Um parasitismo permanente atinge o Anergates atratulus, uma formiga europeia, cuja fmea no se pode classificar bem como rainha, pois est completamente degenerada. 
Somente produz a casta das obreiras e introduz-se no ninho de outra espcie de formiga, Tetramorium caespitum, para terminar o seu ciclo biolgico. Uma vez adoptada 
pelas obreiras Tetramorium, estas matam a prpria rainha, destrem a sua "ninhada" e consagram-se aos cuidados da descendncia da usurpadora. Como se v, a histria 
das sociedades de insectos pode tambm ser to abalada como a das sociedades humanas.


Coloraes protectoras


O elevado nmero de insectos e as suas pequenas dimenses tornam-nos particularmente vulnerveis aos ataques dos animais predadores de maior porte. Como podero 
eles evitar a sua prpria destruio? Um dos mais importantes princpios de segurana consiste em passar despercebido, escondendo-se.  assim que muitos animais 
indefesos vivem entre as folhas mortas, nos vegetais apodrecidos, nas plantas, ou mesmo debaixo da terra. Todavia, deve reconhecer-se que semelhantes mtodos so 
pouco eficientes perante animais da mesma natureza, que descobrem as suas vtimas sem utilizar o sentido da vista mas, perante os que dele se servem, tal dissimulao 
 bastante eficiente em pleno dia. Os crabos negros, to frequentes debaixo das pedras, so um bom exemplo, com os seus hbitos nocturnos.
Um processo mais aperfeioado de atingir a invisibilidade fsica consiste em confundir-se com o meio ambiente. A visibilidade depende de numerosos factores, entre 
os quais a cor, de que trataremos em primeiro lugar.
A cor dessimuladora, a que se chamava minetismo, designa-se hoje por crpsia, ou homocromia_ reservando o termo minetismo para certos casos particulares. Esta crpsia 
pode ser em geral ou especial, conforme produz um efeito de conjunto que se harmoniza inteiramente com o meio ambiente ou somente uma semelhana com um dos elementos 
particulares do prprio meio. Um gafanhoto cor de terra, um insecto verde vivendo entre a relva, so exemplos bem conhecidos de crpsia geral, que se designa por 
procrpsia, por ser utilizada como meio de defesa. Quando a colorao constitui um meio de ataque, isto , quando facilita ao insecto o aprisionamento das suas presas, 
denomina-se anticrpsia e  menos frequente que a procrpsia. Um certo nmero de Hempteros sugadores do gnero Mononyx, de cor trrea, corpo deprimido e movimentos 
lentos, que se encontram na terra hmida e atacam pequenas borboletas que nela pousam.
A procrpsia geral sempre tem suscitado a admirao de todos pela perfeio com que o animal imita o aspecto pormenorizado de um ramo, de uma pedra, de uma folha 
morta ou de um excremento de ave. As borboletas Kallima tm, na face inferior das asas, cuja cor e forma lembram uma folha seca, a reproduo fiel de pequenas manchas 
de bolores ou de estragos feitos por pequenos insectos. Certos gafanhotos-cigarras, de aspecto foliceo,  assemelham-se, pelo contorno irregular dos litros, a uma 
folha com algumas pores rodas.
A anticrpsia especial  muito evidente num Mantdeo que, devido a expanses de cor rsea existentes nos membros e no corpo,, se parece com uma flor, atraindo assim 
os insectos, dos quais se alimenta.
A colorao crpsia, de um modo geral, mantm-se constante, mas em certas largatas e aranhas varia segundo o meio e os costumes:  o que se chama crpsia varivel. 
Uma aranha branca de neve sobre uma flor branca adquire a cor amarela, se passa para uma flor desta cor.
Uma colorao varivel manifesta-se melhor numa espcie do que num indivduo.  o caso de uma variao, segundo as estaes do ano, nas regies tropicais, que origina 
o aparecimento de duas formas alternantes: uma crpsia, que se observa durante a estao quente e seca (quando os insectos so raros e a ameaa dos predadores  
mais intensa), e outra, durante a poca das chuvas, moderadamente crpsia ou mesmo bem visvel, visto o predador ter  sua disposio vtimas em abundncia, no 
necessitando de procur-las.
A crpsia  prpria dos seres vivos: tambm a atitude, os movimentos e os costumes contribuem para acentuar a semelhana ocasionada pela cor e pela forma. Mas a 
colorao, em si, isto , a harmonia de tonalidade entre o objecto e o meio, no  o nico factor de dissimulao.
Um objecto slido projecta sombra, e se ns distinguimos um pau ou uma pedra que est no cho  devido ao facto de a parte inferior do objecto ser mais sombria, 
por estar coberta pela sombra da parte superior. Assim, o corpo cilndrico de uma lagarta deveria notar-se facilmente, apesar da colorao, se a Natureza no neutralizasse 
o efeito causado pelas sombras, dando  parte inferior uma colorao mais clara.  o "princpio de contraste de sombras", de Thayer.
Uma silhueta nitidamente recortada, como a das asas estendidas de uma borboleta, tem de ser disfarada com manchas de cores contrastantes que escondam o verdadeiro 
contorno. Este  o "princpio de mistura diferencial", de Cott. 
Qualquer zona uniformemente colorida tem um contorno definido, que se conhece facilmente; se, pelo contrrio, est separada em zonas irregulares por manchas vistosas, 
a sua verdadeira forma dilui-se e a espcie predadora, fixando a sua ateno nestas pores de cores vivas, no se apercebe do contorno da presa desejada. Cott atribui-lhe 
a designao de "colorao disruptiva" [colorao fragmentada]. Todos estes elementos contribuem para o aparecimento de insectos crpticos. Contudo, existem insectos 
de carcter oposto a este, pois so extraordinariamente visveis, de cores vivas mescladas, e cujos hbitos chamam a ateno dos outros animais.  curioso que, enquanto 
os insectos crpticos so utilizados com frequncia na alimentao de outros seres vivos, as espcies menos discretas nunca so comidas. Efectivamente, uma colorao 
notvel est associada a vrios outros factores destinados a afastar os inimigos: emisso de lquidos desagradveis, picadas, presena de plos urticantes ou espinhos, 
etc. O animal chama a ateno do inimigo eventual prevenindo-o de que qualquer coisa desagradvel o espera se tentar atacar. Da o nome de "colorao de aviso" ou 
"colorao aposemtica".
 por isso que o insecto aposemtico  "duro de rer"; tem de poder resistir aos piores tratamentos: depois de conseguir libertar-se do inimigo, graas  sua especial, 
 necessrio que se lance sobre ele sem piedade.
Tal como os insectos crpticos, que tm costumes que acentuam o seu aspecto somtico, as espcies aposemticas so lentas, audaciosas e provocantes.
Visto que o inimigo, para tomar conhecimento do que deve evitar, destri um certo nmero de insectos portadores de uma estrutura aposemtica defendida, cada estrutura 
pede, deste modo, uma certa percentagem x. Por consequncia, se cada estrutura caracteriza uma nica espcie, cada espcie sofrer uma perda x. Mas se numerosas 
espcies possuem a mesma estrutura, a perda x, que lhe  inerente, abranger um certo nmero de espcies, cada uma das quais perder ento uma fraco de x. O valor 
desta fraco depende do nmero de espcies que partilham desta "colorao de aviso comum" ou "colorao sinaposemtica".
, alis, o que se passa na Natureza: as listas amarelas e negras das vespas de todas as espcies, que aparecem igualmente em largatas, como as da borboleta-de-so-tiago 
e de colepteros necrforos, so um exemplo de "colorao sinaposemtica". F. Mller designou outrora por "mimetismo mlleriano".
Um insecto de tipo facilmente comestvel pode assemelhar-se tanto, apenas pelo seu aspecto, a uma espcie aposemtica, que o predador, assim ludibriado, deix-lo- 
em paz e escolher as suas vtimas entre indivduos cujo aspecto no lhe oferece dvidas. A este fenmeno de falsa colorao de aviso, chama-se "mimetismo batesiano". 
Tecnicamente designa-se por "colorao pseudo-aposemtica".
O mimetismo engana somente o artista, mas nunca o anatomista. O insecto mimtico deve manter o inimigo a distncia, visto no resistir a uma observao cuidada e 
no possui meios de defesa que lhe permitam vencer qualquer ataque. Por esta razo, no  necessrio qualquer parecena sob o ponto de vista anatmico.
A semelhana como "modelo" pode fazer-se de diversas maneiras, mas o resultado final  o mesmo. Como o mimetismo implica sempre um engano, no  muito frequente, 
pois caso contrrio acabaria por destruir o seu prprio objectivo. Se entre um certo nmero de insectos negros manchados de amarelo, 50% no tivesse nada de terrvel 
ou repugnante, valeria a pena aos predadores atac-los a todos e seleccion-los. Os insectos mimticos sem defesa seriam ento destrudos! Mas se somente 1% estiver 
privado de qualidades repelentes, estes mesmos indivduos no tero probabilidades de ser descobertos. Por isso, o mimetismo batesiano  raro. Encontra-se nos Insectos 
e noutros Artrpodes, sendo muito caractersticos entre as aranhas que lembram formigas.
Pela anatomia, uma aranha difere consideravelmente de uma formiga: o seu corpo est dividido em duas partes, enquanto o da formiga est em trs. Mas existe no corpo 
da aranha mintica um estrangulamento, que, embora no tenha nenhuma significao anatmica em relao  disposio dos rgos internos, representa, uma das divises 
do corpo da formiga. A aranha, munida de oito patas, mas privada de antenas, agita e levanta o par de patas anterior imitando as antenas mveis da formiga, que apenas 
tem seis patas. O mimetismo, bem como os outros dois tipos de colorao protectora,  nitidamente uma necessidade prpria do insecto.
As Pierina, Apatura e Vanessa imitam as borboletas tropicais das subfamlias Danainae, Eupleinea, Ithomiinae e Acraeinae, e tm servio de base e profundos estudos 
de mimetismo. Certas Ropalceras assemelham-se a Heterceras, excepcionalmente de hbitos diurnos; alguns Colepteros e Dpteros lembram formigas, etc. No se pode 
considerar o mimetismo batesiano ou colorao pseudo-aposemtica como um fenmeno particular, isolado, pois  estritamente comparvel  colorao especial procrpsia. 
Em ambos h uma semelhana com um insecto de sabor desagradvel ou com outro sem valor nutritivo.


O parasitismo nos Insectos


O parasitismo, tal como se encontra no reino animal, consiste no facto de que certos organismos tm de viver inteiramente na dependncia de um outro, podendo causar-lhes 
maiores ou menores prejuzos. Nenhum outro grupo ilustra melhor este comportamento do que o dos vermes parasitas. Mas, no vasto domnio dos Insectos, h muitas poucas 
espcies que sejam permanentemente parasitas. Os principais so os piolhos das Aves, ou Malfagos, e os piolhos picadores dos Mamferos, ou Anopluros. Outros insectos, 
frequentes parasitas, so o conhecido percevejo das camas (Cimex) e as pulgas (Sifonpteros).
Apesar de os piolhos passarem todas as fases da sua vida no corpo do hospedeiro, nos Insectos, o parasitismo muitas vezes limita-se apenas a um estado do seu ciclo 
vital, em geral o perodo larvar. O adulto  um ser livre que, na maioria dos casos, se alimenta diferentemente da larva. Um tal parasitismo  extremamente comum 
no mundo dos Insectos e origina formas de comportamento cuja complexidade nos fascina e nos espanta, quando pensamos quo precrios e complicados so os mtodos 
necessrios para a reproduo.
A larva parasitria do Insecto, sofre uma degenerescncia anatmica. Como vive nos tecidos do hospedeiro, as patas desaparecem ou no so funcionais. H uma tendncia 
a tornar-se volumosa, de superfcie lisa, imvel e, por isso, excelentemente adaptada ao seu meio.
O insecto parasita ataca frequentemente um outro insecto. Qualquer que seja o insecto atacado quase sem excepo, morre logo que a larva parasita no deixa de se 
sentir a maturidade. Muitas vezes, morre mais cedo, mas, se isso acontece, o parasita no deixa de se sentir em sua casa, nos restos do hospedeiro em decomposio. 
Todas as grandes ordens de Insectos contm espcies de hbitos parasitrios, mas a maioria pertence aos Himenpteros, aos Dpteros e aos Colepteros.
Os hospedeiros das vespas parasitas so frequentemente Lepidpteros. O ataque a borboletas pode fazer-se aos ovos, lagartas ou crislidas. A vespa pe os ovos, quer 
dentro quer sobre o corpo do hospedeiro, e a larva, aps a ecloso, pode alimentar-se como parasita interno ou externo. Apanteles glomeratus, que parasita as jovens 
largatas da borboleta branca da couve (Pieris brassicae),  uma das espcies, entre tantas outras, cujas larvas vivem como parasitas internos dos hospedeiros. Muitas 
vezes, a prpria vespa parasita  parasitada por outra vespa. Alguns dos principais inimigos dos Afdeos ou pulges so pequenas vespas do gnero Aphidius.
Os Aphidius rastejam entre os pulges, injectando, graas a pequenas descargas bruscas do seu ovopositor, um ovo no corpo de cada pulgo. Todavia, os louvveis resultados 
da sua actividade so prejudicados, porque os seus prprios descendentes tornam-se hospedeiros de uma outra pequena vespa, Lygocerus.
Os Lygocerus parece terem um faro extraordinrio para descobrir a presena de larvas de Aphidius no corpo dos pulges. A escolha de um parasita como hospedeiro  
um exemplo de parasitismo secundrio ou hiperparasitismo.
Algumas vespas parasitas no se do ao trabalho de procurar hospedeiro, contentando-se em pr ovos num lugar onde as larvas possam com facilidade atingir o insecto, 
no qual deve terminar o seu desenvolvimento. Uma tal falta de contacto entre o parasita e o hospedeiro reduz, evidentemente, as probabilidades de sobrevivncia da 
descendncia do parasita. Mas a vespa pe exactamente um nmero de ovos muito elevado, proporcional ao risco que corre. A situao torna-se fantstica no caso das 
vespas trigonaldeas, que certas espcies chegam a pr 10000, produzindo por vezes 4000 ovos num dia! Alguns depositam os ovos ao longo do bordo de folhas, que a 
permanecem sem eclodir at o momento em que so engolidos, juntamente com a folha, por uma lagarta. ao entrar em contacto com os sucos digestivos da lagarta, a larva 
sai, mas, antes de prosseguir o crescimento, necessita de penetrar no corpo de um outro himenptero parasita, que j se encontra dentro da lagarta!
Entre os Dpteros parasitrios, uma das famlias importantes  a dos Taquindeos. Numerosas espcies parasitam, principalmente, largatas, muitas vezes prejudiciais 
s culturas; os Taquindeos so considerados insectos teis. Na Amrica do Norte, a traquina de cauda vermelha (Winthemia quadrpustulata) destri frequentemente 
50 por cento das terrveis lagartas do verme-militar (Leucania bipunctata).
Os Sarcofagdeos abrangem um grupo de moscas de interesse particular. Os adultos so larvparos: os ovos eclodem no tero da fmea, que coloca depois as larvas no 
hospedeiro apropriado. Como certas espcies parasitam os gafanhotos migratrios (Schistocerca), o seu ciclo est bem estudado. O processo segundo o qual se estabelece 
o contacto entre o parasita e o hospedeiro varia conforme a espcie de mosca. Umas espcies introduzem a larva no corpo do gafanhoto em repouso, outras introduzem 
o seu ovopositor no orifcio genital do hospedeiro e a deposita a larva.
As moscas da famlia dos Estrdeos (estrus, Gasterophilus e Hypoderma) so importantes por serem insectos parasitas dos mamferos domsticos. As larvas, segundo 
as espcies, podem encontrar-se em trs regies: nas cavidades nasais, na mucosa do estmago e debaixo da pele. A fmea de Hypoderma pe os ovos nos plos dos bois, 
e estes, lambendo-os, engolem-nos. As larvas, aps a ecloso, abrem caminho atravs das paredes da faringe, onde permanecem durante algum tempo; em seguida, deslocam-se 
at atingirem o tecido subcutneo do dorso e a terminam o seu desenvolvimento larvar. Quando chegam a esse estado, perfuram a pele e caem  terra, onde pupam. Os 
orifcios de sada reduzem fortemente o valor comercial do coiro.
O estro do carneiro (estrus ovis), praticamente larvparo, deposita as larvas nas narinas dos carneiros. Com o crescimento destas, as cavidades nasais so obstrudas 
e a sade do animal abalada; so por vezes responsveis pela "vertigem" dos carneiros.
Os representantes da famlia Merloidae so, na maioria, parasitas. Os Apalus passam a sua vida larvar no ninho de abelhas solitrias. Em virtude da maneira indirecta 
como os Aspalus atingem o hospedeiro, torna-se necessrio uma postura de ovos em grande quantidade, de modo a compensar as perdas sofridas. Efectivamente, 3000 a 
4000 ovos so postos nas proximidades dos ninhos das abelhas solitrias.
As larvas do primeiro estado so activas, adaptadas a uma vida movimentada e no apresentam ainda nenhum carcter degenerado de parasita. So conhecidos por triongulinos 
e procuram as flores visitadas pelas abelhas, vidas de nctar e plen. A esperam pacientemente a ocasio de serem transportadas involuntariamente pelas abelhas, 
que as conduzem para o seu ninho. J em segurana, o triongulino efectua uma srie de mudas; gradualmente, as patas e maxilas vo-se reduzindo e o corpo torna-se 
espesso. Em plena maturidade, tem o aspecto de uma grande larva inactiva, cujos membros quase no funcionam.
Outro coleptero, cujos hbitos so semelhantes aos dos Apalus,  um insecto de aspecto estranho, Metecus paradoxus. A sua vida prova admiravelmente que nenhum 
grupo de insectos, por muito hbil que seja em defender-se, est livre das "manobras" de outros insectos parasitas. O hospedeiro de Metecus  uma das vespas comuns 
na Europa, a agressiva paravespula vugaris. O coleptero faz as posturas nas fendas do invlucro papirceo fabricado pelo himenptero durante a construo do seu 
ninho; a atingem a maturidade, alimentando-se dos sucos corporais das larvas das vespas.
A diversidade  o "fecho de abbada" dos costumes parasitrio dos Insectos, e isso  particularmente verdadeiro nos Himenpteros.
As fmeas de certos gneros de Encirtdeos, vespas minsculas, mas muitas vezes de cores vivas, pem somente alguns ovos; contudo, cada um destes subdivide-se de 
maneira a formar uma grande quantidade de clulas separadas no interior do hospedeiro; esta multiplicao conduz  formao das chamadas cadeiras de embries (Poliembriomia). 
No caso de Litomastix truncatellus, no qual cerca de 3000 adultos se criaram numa nica lagarta de Phytometra brassicae, as cadeias de embries no quebram nem do 
origem s larvas antes de o hospedeiro atingir a maturidade.


Os pulges, os seus inimigos e insecticidas


A luta incessante travada entre os seres vivos, por menos impressionante que seja, constitui um dos aspectos mais interessantes do comportamento animal.
Qualquer que seja a violncia dos ataques de um inimigo, o nmero de vtimas  susceptvel de ser compensado e a espcie continua a existir, embora com certas flutuaes 
numricas, mas mantendo-se a populao quase constante durante um perodo mais ou menos longo. Este fenmeno verifica-se entre os pulges e os seus numerosos inimigos, 
nos quais o elevado ndice de fertilidade nos primeiros  sempre contrabalanado pelo tambm elevado ndice de mortalidade.
Iniciaremos a histria dos pulges em fins de Outono.
As fmeas depositam os ovos nas fendas das cascas das rvores ou noutros locais semelhantes. Estes ovos esto protegidos por um invlucro espesso e constituem o 
elo essencial de uma cadeia entre a populao de dois anos sucessivos.
Na sua maioria, os adultos, machos ou fmeas, tm os seus dias contados, sendo duvidoso que qualquer deles sobreviva at o ano seguinte.
A ecloso dos ovos tem lugar na Primavera, mas destes apenas nascem fmeas, a maior parte sem asas. As fmeas aladas, naturalmente capazes de se deslocar, vo dar 
origem a novas colnias. Durante a Primavera e o Vero, estas fmeas reproduzem-se por partenognese , isto , os filhos nascem de ovos no fecundados: so activos 
e tm o mesmo aspecto dos adultos, embora de menores dimenses. O ritmo desta produtividade levar-nos- a compreender a razo porque surge, na Primavera e quase 
somente numa noite, enorme multido de pulges. Uma nica fmea pode originar novos indivduos, em nmero de dois por hora, que comeam a comer pouco depois do seu 
nascimento. Crescem rapidamente, depois de uma srie de muda, e em poucas horas, atingem a maturidade, iniciando a sua reproduo. Desse modo, em vinte e quatro 
horas, cada fmea tornou-se a av de vrias centenas de indivduos.  a reproduo por partenognese que faz de cada membro da populao estival uma fmea fertilssima 
e que, associada ao rpido desenvolvimento embrionrio, explica a abundncia dos pulges. Felizmente, h uma relao entre o aumento do nmero dos pulges e o dos 
seus inimigos, o que limita a aco de uns e de outros. E assim, mesmo que os pulges possam constituir por vezes verdadeiras pragas, estas so entretanto limitadas 
e, mais importante ainda, o equilbrio natural entre predadores e presas  tal que as populaes de pulges no chegam a tornar-se um flagelo.
Os predadores mais importantes dos pulges so as joaninhas (Coccineldeos), que em todos os estados do seu desenvolvimento, se alimentam de pulges e de outros 
insectos semelhantes. Dos ovos postos sobre as folhas das plantas nascem larvas negras com manchas amarelas, que vagueiam sobre a folhagem em busca de alimento. 
Os seus principais aliados nesta luta so as larvas de hemerbios, que lembram as das joaninhas, mas so de cor cinzenta. As larvas de sirfdeos, outros inimigos 
dos pulges, passeiam pela superfcie das folhas, balanando a parte anterior do corpo da esquerda para a direita, tal como uma "tromba de elefante".  este o processo 
que utilizam para procurar o alimento e, embora sejam vermiformes e podes, a sua aco predadora no  mesmos eficaz.
No devemos esquecer, entre os principais inimigos dos Insectos, os Himenpteros que parasitam os pulges, reduzindo-os a simples invlucros vazios e de cor de palha.
E assim, se pode esquematizar esta luta, na qual o elevado potencial de reproduo  doseado por uma srie de inimigos naturais. Cada um dos combatentes, o pulgo, 
a joaninha, o hemerbio ou o himenptero est ligado ao destino de outros organismos que, por sua vez, dependem do de outros, e assim sucessivamente, ocasionando 
a formao de uma cadeia de seres vivos; esta  to importante que sermos levados a concluir que o comportamento de qualquer espcie, desempenha uma funo na vasta 
rede de causa e efeito que constitui afinal aquilo a que se chama o equilbrio natural. Deste modo, o investigador, ao realizar qualquer destes estudos, tem de atender 
sempre ao conjunto dos indivduos do meio considerado.


A luta biolgica contra os Insectos


A luta biolgica em que o Homem intervm, contra os Insectos - e outros animais ou plantas -, representa o aproveitamento de um processo natural, segundo o qual 
uma espcie, animal ou vegetal, ataviando uma outra, consegue domin-la. No h dvida de que o "equilbrio natural". Em condies naturais, nenhum animal, ou alguma 
planta, pode dominar, no seu meio, durante muito tempo. Ainda que a aco do Homem na luta biolgica contra os Insectos se aproxima o mais possvel da aco da Natureza, 
nunca atingir a perfeio desta, visto serem desconhecidos numerosos factores essenciais na luta contra diversas pragas.
Sabe-se que certos insectos necessitam duma alternncia de hospedeiro e que, na falta destes, o parasita no sobrevive. Por infelicidade o perodo durante o qual 
o parasita ataca exactamente o hospedeiro indesejvel  muitas vezes curto. Isto d-se precisamente nos parasitas que tm duas ou trs geraes por ano: Os indivduos 
da Primavera ou do Outono podem ser aqueles que do origem aos predadores da praga a dominar.
Os principais elementos que contribuem para o xito de um insecto parasita na luta biolgica so os seguintes:
1 - As condies climticas devem permitir ao parasita fixar-se no seu novo habitat.
2 - A entrada dos parasitas do seu pas de origem deve ser evitada.
3 - Que os parasitas locais os no ataquem.
4 - A presena de hospedeiros alternantes apropriados, se se trata de um parasita de ciclos complexos,  indispensvel.
5 - O parasita deve desenvolver-se naturalmente no seu novo meio, de modo a atingir o mximo dos seus efectivos no momento em que, habitualmente, parasita o hospedeiro 
cuja destruio se pretende.
6 -        O parasita deve ter certos hbitos definidos. Alguns dispersam-se rapidamente, aps a sua libertao, diminuindo assim a possibilidade de se reproduzirem. 
Outros permanecem somente nos locais onde so libertados.
Parece-nos oportuno, ao terminar esta breve exposio acerca da luta biolgica, concluir que existem vrios mtodos que certamente vo apresentar grandes progressos 
no futuro.


CURIOSIDADEs:


["A abelha-mae ou abelha-mestra, fica no centro rodeada pelas suas "aias", 
as obreiras  que a alimentam."
"A alvolo ou clula-real de abelha (Apis mellifera),  muito maior que a das obreiras e zanges, assemelhando-se na forma a um amendoim."
"A fmea  da cor do Lepidptero sintomdeo (Amatidae), imite perfeitamente um Himenptero vespiforme, o que o defende dos predadores."
"A borboleta monarca  repugnante para as aves."
"Quando uma borboleta, que, no tendo as propriedades repugnantes da monarca imita na cor e nos desenhos, e isso a defende dos inimigos."
"A vespa Megacephala euphratica, Coleptero, um dos "tigres" desta ordem,  carnvoro e aposemtica (colorao de aviso)."
"A pulga-do-rato (Xenopsylla cheopis),
  transmissora da peste bubnica."
"Uma fmea da pulga penetrante (Dermtophilus penetrans),  vulgarmente conhecida, no Ultramar Portugus, por "matacanha"."
"A mosca Calliphora erythrocephala, quando depem os ovos na carne, provoca rpida putrefaco." 
"Certas formigas (Formica, Lasius, etc.) criam pulges (Hompteros) nos formigueiros, como se fossem "vacas leiteiras" (Aphis formicarum vaca), aproveitando-lhes 
o excremento aucarado (melada) que eles evacuam, bastando acarici-los com as antenas."
"O gafanhoto, Ortptero acrdeo do gnero Namadacris,  um incrvel devastador das culturas vegetais."
"Existem vrios tipos de pulverizador mecnico, que tanto pode ser usado para distribuio de fertilizantes como de insecticidas.
 O emprego dos insecticidas deve ser precedido do conhecimento 
da biologia do insecto em causa."]


O fogo e o sacrifcio dos seus "adoradores"


O comportamento das borboletas-da-traa, em relao  luz, revela-se to complexo e intrigante como se tivesse sido planeado com fim de invalidar qualquer teoria 
que viesse a ser proposta para o explicar. Vem a propsito contar, para boa elucidao, este caso concreto ocorrido, s primeiras horas da madrugada, num quarto 
onde, junto  janela apenas entreaberta,, estava uma vela acesa, uma multido de pequeninas borboletas nocturnas j atrada para a vidraa, logrando entrar no quarto 
umas vinte, enquanto as outras tentavam baldadamente encontrar passagem para o interior. Essas vinte borboletas, desde que passaram pela fresta da janela, foram 
poisar sobre a mesa, dispondo-se em volta da vela, todas, sem excepo, com a cabea virada para a luz.
 Depois de breves momentos, uma delas levantou voo, circulou em torno da vela, queimou as asas e, tombando atravs da chama, mergulhou na cera em fuso. Aps esta 
tragdia, outra se lhe seguiu e assim, uma atrs de outra, em intervalos regulares, as borboletas foram tentando a sua sorte em volta do fogo crepitante. Algumas 
morreram na chama, outras caram na cera fundida e outras conseguiram escapar com as asas chamuscadas, encontrando poiso na mesa, mais ou menos estropiadas. Outras, 
ainda, contentaram-se em permanecer em cima da mesa a adorar a chama de longe, sem nunca tentarem aproximar-se dela, durante mais de uma hora. Mas tambm as haviam 
que pareciam muito menos atradas, passando todo tempo esvoaando sem destino contra as paredes e o tecto. Todavia, o que acima de tudo havia de mais curioso para 
observar era este triste espectculo de muitas delas, com as asas calcinadas demais para ainda poderem voar, trepando lentamente e deliberadamente, muitas vezes 
mesmo com dificuldade, at ao cimo da vela onde a chama as consumia. Parecia mesmo um suicdio deliberado. Tambm era interessante observar que, enquanto a maior 
parte volteava em torno da chama descrevendo curvas cada vez mais apertadas, outras voavam directamente  chama.
Nenhuma teoria parece poder explicar a diversidade dos comportamentos assim revelados. O ponto de vista mais simplista  o de que uma luz intensa  to irresistvel 
para uma borboleta nocturna como a luz do dia o  para uma planta em crescimento. Todavia, algumas destas borboletas, embora sempre enfrenta  luz, no se deixavam 
atrair por ela. Mas h uma teoria segundo a qual a borboleta, desde que se encontre a determinada distncia da luz, no pode deixar de descrever crculos em volta 
dela. No entanto, certas borboletas voavam em torno da chama sem se aproximarem, ao passo que outras se lanam contra ela.
Estas teorias, e muitas outras, explicam sem contestao o que foi proposto, h alguns anos, por um cientista francs. Em sua opinio, a atraco seria devida a 
uma espcie de "sentido artstico" nascente ou francamente desenvolvido e a reaco individual de qualquer borboleta seria determinada pelo grau de desenvolvimento 
dessa faculdade. No prosseguimento da sua argumentao, citava o caso dos seres humanos e dos letreiros luminosos, dizendo: se analisamos as reaces de uma multido 
em relao a cartazes luminosos publicitrios, apercebemo-nos de que certas pessoas os consideram horrivelmente inestticos e tirando beleza  paisagem, de que outras 
vagamente se mostram agradadas e ainda outras extraordinariamente excitadas. Tambm algumas passam e nem para eles olham, outras lanam-lhe um olhar indiferente, 
ao passo que determinadas pessoas param para os contemplar, mais ou menos maravilhadas. O cientista em causa aumenta o interesse da sua teoria chamando a ateno 
para a semelhana entre os dois comportamentos, ainda mais prxima do que superficialmente parece. E lembra-nos tambm que o olho do insecto  composto de um grande 
nmero de facetas, e que, com toda a probabilidade, a imagem da chama  registrada separadamente em cada faceta. Em suma, o que nos nossos olhos  um simples ponto 
luminoso nos da borboleta multiplica-se numa extraordinria e fascinante profuso de pequenssimos pontos luminosos. E esta iluminao deve fascinar realmente as 
borboletas dotadas de "sentido esttico" at as atrair a um suicdio doloroso.
Este relato do comportamento das borboletas-da-traa em volta de uma vela no prova, de modo algum, que os trabalhos experimentais acerca dos tactismos sejam baldados 
e as suas concluses incorrectas. Muito pelo contrrio, chama a nossa ateno sobre uma possibilidade nada desprezvel: tratar-se-ia de um complexo especial de comportamento 
devido a uma quantidade de factores variveis.

Fim do Terceiro Volume
